OPINIÃO
O silêncio do lixo e o grito das vias abandonadas
Nacala acorda cedo, mas nem sempre desperta limpa. O sol nasce bonito sobre o porto, o mar brilha como promessa, mas basta caminhar algumas ruas para que a paisagem mude. Em Nacala, o cenário nos bairros periféricos asfixia a esperança sob camadas de desperdício. No Bairro do Triângulo, as montanhas de resíduos sólidos não são apenas um atentado visual; elas invadem rodovias e cercam escolas, transformando o cotidiano num labirinto de mau cheiro e moscas.
O lixo acumulado, que chega a ficar semanas até meses sem recolha, torna-se o berço ideal para o Vibrião cholerae que tem atormentado e tirado vidas de muitas pessoas nesta cidade portuária, Os bairros como o Triângulo mercdo juma ou Mocone no mercado vulgarmente conhecido por anli, as pessoas convivem com o cheiro apodrecido do lixo. bebem, comem e respiram essa tragédia, por ventura o lugar estava bem até o momento em que o município viu a brilhante ideia de fazer traspasse de lixo, tirar o lugar de suportável pra insuportável mega pro max, o mercado juma existe essa podridão no mesmo local onde compramos nossos produtos alimentícios charcos e aguas paradas e apodrecidas, a água que deveria dar vida transporta a morte, a falta de latrinas agrava o ciclo da doença.
Sacos de lixo espalhados, valas abertas com risco de criar um acidente de viação, restos esquecidos, muita demência ,em cantos que já não causam espanto. A sujeira virou parte do cenário, como se sempre tivesse estado ali. Mas na verdade essa toda situação Não é por falta de gente, é falta de cuidado, falta de amor para com essa cidade. O lixo se acumula enquanto todos passam, olham, desviam. Crianças brincam perto do que deveria estar longe, moscas fazem morada onde o ar já pede socorro. A cidade fala, mas fala baixo, e poucos escutam.
A má higiene não nasce sozinha. Ela cresce na ausência de recolha regular, na falta de casas de banho públicas, no descuido diário que se repete até virar hábito. Cada papel jogado no chão parece pequeno, mas juntos eles contam uma grande história a história de uma cidade que está sendo esquecida.
As crateras que rasgam o asfalto deixaram de ser apenas um obstáculo para se tornarem a causa direta de tragédias e prejuízos. Em um tempo não muito distante, um camião da empresa Luk, carregado com óleo alimentar, capotou na estrada quem da acesso ao Porto de Nacala ao tentar desviar-se dos buracos que dominam a via. O acidente derramou uma enorme quantidade de carga, paralisando o trânsito por horas e forçando residentes a usar areia para tentar equilibrar a rodovia e libertar a passagem.
A dias atrás o mesmo cenário aconteceu mas desta vez sendo um caminhão de transporte de bebidas alcoólicas ao tentar desviar das covas da rotunda da baixa
acabou capotando de uma forma trágica fazendo perder a vida do condutor. Depois da tragédia o município veio pra colocar simplesmente areia que na próxima minúscula chuva voltará a estaca zero.
E o mais triste é que Nacala não é feia. Ela tem vento, tem mar, tem gente trabalhadora. O que falta não é beleza, é responsabilidade. Falta entender que higiene não é luxo, é dignidade. Não é favor do município, nem obrigação só do cidadão é compromisso de todos.
Talvez um dia o silêncio do lixo e das estradas embruacadas que provocam morte seja quebrado. Talvez alguém decida que o chão também merece respeito. Quando isso acontecer, Nacala continuará sendo a mesma cidade, mas respirando melhor, andando mais leve, e finalmente sendo tratada como merece.
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