SOCIEDADE
Nampula acelera certificação de 175 comunidades livres de fecalismo a céu aberto
A província de Nampula está a intensificar as acções destinadas a declarar 175 comunidades livres de fecalismo a céu aberto, num esforço que combina intervenção técnica, mobilização comunitária e financiamento internacional. A meta é ambiciosa e surge num contexto em que o nível de cobertura de saneamento continua baixo, situado nos 49%, segundo dados oficiais.
O trabalho está a ser impulsionado pelo apoio do Banco Mundial, que actua directamente em 11 distritos, bem como pelo suporte contínuo da UNICEF, que acompanha os restantes. As equipas envolvidas incluem técnicos distritais de infraestruturas, quadros de saúde pública, consultores especializados e engenheiros da Direcção Provincial das Obras Públicas.
Segundo o director provincial, Faquira Massalo, o processo de certificação não começou agora: é resultado de mais de 12 anos de sensibilização comunitária, incluindo formação de líderes locais, monitoria porta a porta e transformação gradual das latrinas tradicionais em latrinas melhoradas. “Temos consultores que trabalham diariamente com as comunidades na mudança de hábitos e na construção de soluções de baixo custo mas resistentes”, explicou.
A certificação de uma comunidade exige critérios rigorosos, como existência de sanitários adequados, eliminação de práticas de defecação a céu aberto, gestão correcta de resíduos e adopção de boas práticas de higiene. As equipas estão neste momento a percorrer os 11 distritos abrangidos pelo Banco Mundial para avaliar se estão reunidas as condições para atribuição do estatuto.
Além do acompanhamento técnico, o Governo está a reforçar o investimento em infraestruturas básicas. No próximo ano, está prevista a construção de 11 mil novos sanitários dirigidos principalmente a famílias vulneráveis que não possuem condições financeiras para erguer uma instalação adequada. Este apoio inclui tanto a construção de raiz como a melhoria de latrinas já existentes.
O director sublinha que o principal desafio não está apenas na infraestrutura, mas na mudança de comportamentos. “O fecalismo a céu aberto é uma questão cultural e social. É preciso muita sensibilização, muito diálogo e envolvimento da comunidade para garantir que as novas práticas sejam cumpridas e mantidas”, afirmou.
A iniciativa já celebra ganhos visíveis, como o caso de Corane, em Meconta, onde foram construídas 300 latrinas destinadas a famílias deslocadas. Estas obras integram o processo de preparação para futura certificação, mostrando que o modelo pode ser replicado noutras zonas da província.
O objectivo final do Governo é expandir o processo de certificação para além das comunidades e avançar para distritos inteiros livres de fecalismo a céu aberto, transformando Nampula numa referência nacional em saneamento rural. Mas, para isso, será necessário manter o ritmo de investimento e enfrentar os desafios logísticos e culturais presentes em várias localidades.
Recorde-se que, recentemente, durante as celebrações do Dia da Latrina, em Corane, o governador de Nampula, Eduardo Abdula, afirmou que pretende ver a província livre do fecalismo a céu aberto, condição considerada fundamental para erradicar os surtos de cólera que têm eclodido na província de Nampula. Faizal Raimo
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