OPINIÃO
Anamola – Vai Pegar!
Você já ouviu falar de “Anamola”? Pois é… Para alguns, trata-se do nome de um partido político recém-nascido, que já começa a dar passos nos bastidores da terra de Mário Coluna e Chiquinho Conde. Porém, se você perguntar aos manhambanes — especialmente aos bitongos —, eles vão rir na sua cara e dizer: “Meu irmão, Anamola quer dizer vai pegar!”.
É aqui que entra o nosso protagonista: tio Rungo, elegante, de olhar sedutor — daqueles que prometem mais do que cumprem. Tio Rungo vivia numa eterna guerra fria com tia Sumbe. Eram discussões de fazer inveja a qualquer debate parlamentar. Um dia, a coisa azedou de tal forma que, se não fosse Deus no comando, tia Sumbe quase deixava o tio Rungo numa cadeira de rodas. Foi então que o divórcio entrou em cena. E não pense que divórcio é apenas papel assinado. Nada disso. Era um personagem vivo, malandro, que chegou cochichando ao ouvido dos dois: “É contigo que quero ficar.” E ficou.
Mas o tempo, esse sim, corre mais rápido que os megas da Vodacom quando esquecemos o Wi-Fi ligado. Talvez até mais rápido que o salário no bolso do funcionário público. E adivinhe? Pouco tempo depois, quem a praia de nudismo flagrou? Isso mesmo: tio Rungo e tia Sumbe, de abraços íntimos, como se nada tivesse acontecido.
Foi então que entrou em cena a dona Joana. Ah, dona Joana! Aquela que é como milho de pipoca: basta um grão estourar, que ela já pula. Sem pensar duas vezes, com o dedo puxou o gatilho e disparou contra tio Rungo. As palavras, em forma de tiros, saíram que nem ketchup espremido: “Safado, safado! O senhor vendeu a sua dignidade por dinheiro!”.
O que ela não sabia é que tio Rungo sofre da Síndrome de Estocolmo — aquele estado psicológico estranho em que a vítima acaba sentindo simpatia, até amor, pelo agressor. O termo nasceu de um assalto famoso em 1973, no Kreditbanken, em Estocolmo. Só que, no caso do tio Rungo, o assalto foi ao coração e à liberdade.
Amigo, eu te digo: a situação dele não é muito diferente da de muitos outros. Olhe em volta:
— jovens que ontem eram críticos natos e hoje se renderam;
— políticos que vestem capa de acadêmicos;
— governantes que comem como se a fome fosse eterna…
Todos abraçados ao seu próprio agressor e ainda sorrindo na cara do pobre. Esse é o verdadeiro retrato da Síndrome de Estocolmo.
E sabe o que eu acho? Essa síndrome não tem piedade. Está sempre à espreita, pronta para te pegar. Cuida-te!
Lembra: para os manhambanes, Anamola significa vai pegar!
Francisco Banda
Psicólogo Clínico
-
SOCIEDADE4 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
DESPORTO1 ano atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA8 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA9 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
