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SOCIEDADE

80 zonas de risco rodoviário no Corredor de Nacala serão alvo de sensibilização

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A Associação Moçambicana das Vítimas da Insegurança Rodoviária (AMVIRO) semana passada em Nampula, durante o lançamento de uma campanha de educação rodoviária, que o Corredor de Nacala apresenta mais de 80 pontos críticos de acidentes que, nos próximos oito meses, serão alvo de acções de sensibilização envolvendo alunos, peões e automobilistas.

No mesmo corredor foram identificadas 30 escolas, com cerca de 35 mil estudantes expostos ao risco, para além de 6 mil condutores e 6 mil peões que também serão abrangidos nos troços Nampula–Namialo, Namialo–Nacala-Porto e Rio Lúrio–Lichinga. Segundo a AMVIRO, estas escolas estão localizadas a menos de um quilómetro das estradas principais, o que reforça a urgência de acções preventivas.

O presidente do Conselho de Direcção da AMVIRO, Alexandre Nhampossa, explicou que o projecto resulta de um concurso público lançado pelo Governo através da ANE e do INATRO, sendo implementado em consórcio com o Centro Internacional de Estudos em Transportes da Universidade de Brasília (CIEFTRO). “A segurança rodoviária não é um desejo, é uma necessidade, como a água para matar a sede. Precisamos dela todos os dias para ir e voltar da escola ou do trabalho em segurança”, sublinhou.

Avaliado em cerca de 12 milhões de meticais, o projecto já recebeu 30% dos fundos e prevê ainda a capacitação de 17 jovens consultores locais. Para reforçar a transparência e o acompanhamento, foi criada a plataforma tecnológica Cobble Collective, que permitirá monitorar em tempo real as actividades realizadas.

Crianças da Escola de Mutava Rex pedem segurança rodoviária

No evento realizado na Escola de Mutava Rex, na cidade de Nampula — uma das 30 instituições de ensino situadas ao longo do chamado corredor mortal — os alunos aproveitaram a ocasião para expor as suas preocupações, pedindo maior protecção nas estradas e melhores condições de aprendizagem.

Num testemunho emocionado, as crianças agradeceram à AMVIRO pelo trabalho de prevenção, mas lembraram que continuam a viver em risco. “Queremos crescer num país onde a estrada seja segura, onde a escola não seja um risco, mas uma alegria”, afirmaram em mensagem lida na ocasião.

Os alunos recordaram ainda o caso de uma colega da 7.ª classe que perdeu as duas pernas após um atropelamento ferroviário, exemplo doloroso da vulnerabilidade a que estão expostos. Pediram mais salas de aulas, vedação da escola e fiscalização no trânsito para que possam estudar sem medo. “Nós seguimos regras, usamos passadeiras e alertamos os adultos, mas precisamos dos vossos olhos, mãos e coração para nos proteger”, concluíram. Redacção

 

 

 

 

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