SOCIEDADE
Setembro Amarelo: psicóloga aposta no diálogo familiar para prevenir males que afligem adolescentes
Com os casos de suicídio a crescer em Nampula, a psicóloga e pedagoga Ana Figueiredo lançou neste Setembro Amarelo oficinas para adolescentes e pais bem como escuta para adolescentes e mulheres, uma oportunidade para abrir espaço de diálogo entre pais e adolescentes e escutar o sofrimento dos adolescentes e mulheres.
Através destas oficinas presenciais, Ana Figueiredo procura encontrar espaço para quebrar o silêncio que tantas vezes antecede tragédias, promovendo escuta, partilha de experiências e construção de redes de apoio.
Segundo explicou, as sessões com adolescentes têm sido marcadas por conversas sobre identidade, autoestima, amizades, uso das redes sociais e outros desafios do quotidiano juvenil. Já com os pais, o foco é a orientação, a troca de experiências e a criação de uma rede de apoio parental.
“A ideia é que eles se sintam seguros para falar das suas emoções, perceber que não estão sozinhos e encontrem ferramentas para lidar com os desafios da adolescência”, sublinha.
A psicóloga alerta que o suicídio é muitas vezes resultado de um sofrimento silencioso. “Quando damos voz aos adolescentes e oferecemos ferramentas aos pais, estamos a quebrar esse silêncio que agrava as dores e, muitas vezes, conduz a decisões trágicas”, explica. Para ela, a prevenção começa no diálogo e precisa ser constante.
Com mais de 15 anos de experiência em educação e intervenção comunitária, Ana Figueiredo tem trabalhado com crianças, adolescentes, raparigas e mulheres em contextos de vulnerabilidade. É pós-graduada em Direitos Humanos, Mediação de Conflitos, Género e Problemas do Desenvolvimento Infantil e Adolescente, além de ter formação específica em autismo, dificuldades de aprendizagem, inclusão escolar.
A especialista garante que a adesão tem sido muito positiva entre adolescentes. “Eles demonstram entusiasmo, querem falar, querem ser ouvidos”, relatou. No entanto, o mesmo não acontece com os pais, que, apesar de interessados, inscrevem-se em menor número e, muitas vezes, preferem que apenas os filhos participem das actividades.
As oficinas, lançadas em Setembro Amarelo, serão realizadas mensalmente e abordarão diferentes temas. “Este é apenas o início. O diálogo contínuo pode salvar vidas. Queremos que tanto adolescentes como pais aprendam a escutar, partilhar e apoiar-se mutuamente”, concluiu. Assane Omar
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