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OPINIÃO

 3 de Fevereiro e os Gigantes de Mãos Calosas

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aos

Se a história oficial é escrita com canetas de ouro em gabinetes refrigerados, a história real de Moçambique é escrita com suor, fubá e uma resiliência que desafia a lógica. Os nossos verdadeiros heróis não esperam pelo 3 de fevereiro para serem lembrados; eles amanhecem antes do sol, quando a neblina ainda abraça as ruas  ou as acácias das nossas cidades e bandas

O primeiro herói é a Mamana do Mercado. Ela é a economista-chefe da nação. Sem curso superior, faz cálculos mentais que fariam inveja a qualquer banqueiro para garantir que o molho de cacana e o peixe seco alimentem cinco filhos e dois sobrinhos órfãos. Ela é a sentinela da sobrevivência, sentada sobre um banco de madeira, vendendo dignidade em pequenas porções.

Depois, temos o Herói do Chapa. Aquele cobrador que possui o dom da ubiquidade e a paciência de um monge budista. Ele consegue transformar um furgão [mini bus] de 15 lugares num ecossistema de 25 almas, garantindo que o país não pare. É ele quem conhece todos os caminhos, todos os buracos e todas as histórias de quem viaja apertado, mas com o destino certo: a luta pelo pão.

Não podemos esquecer o Professor da Escolinha de Caniço. Aquele que ensina o “A” e o “B” debaixo de uma mangueira ou numa sala onde a chuva insiste em entrar sem pedir licença. Ele é o herói que fabrica o futuro com giz gasto e livros partilhados, acreditando que a caneta ainda é a arma mais poderosa contra a pobreza.

E o que dizer dos Jovens Criativos? Aqueles que, nos subúrbios de Nampula ou Tete, transformam sucata em brinquedos, rádio em antena e necessidade em arte. São os heróis da gambiarra, da “desenrasca”, provando que o génio moçambicano não precisa de financiamento externo para brilhar; precisa apenas de espaço para respirar.

Há também o Herói Solidário, aquele vizinho que, no meio de um ciclone ou de uma cheia, divide o seu punhado de arroz com quem perdeu tudo. Em Moçambique, a sobrevivência é um desporto coletivo. O herói é aquele que não deixa o outro cair, mesmo quando as suas próprias pernas tremem.

Estes são os heróis “povo”. Aqueles que não têm estátuas, mas cujos nomes são sussurrados com respeito nas varandas e nos quintais. Eles não buscam o poder; eles exercem o poder mais puro que existe: o de continuar a sorrir, a cantar e a construir um país, tijolo a tijolo, mesmo quando o cimento é escasso.

A verdadeira herança de Moçambique não está nos arquivos do Estado, mas na

coluna vertebral desta gente que, apesar de tudo, recusa-se a desistir. eles, o nosso mais profundo “Kanimambo”.

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1 Comment

1 Comment

  1. Morgado

    Fevereiro 3, 2026 at 11:46 am

    Muita sabedoria envolvida

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