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OPINIÃO

Vejo o diabo fazendo festa na nossa geração

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Há dias em que não é preciso acreditar no diabo para perceber que ele anda solto. Basta abrir os olhos, escutar com atenção, observar os gestos, as palavras, os silêncios e, sobretudo, as escolhas da nossa geração. O diabo já não se esconde nas sombras nem precisa de chifres ou rabo. Ele aprendeu a dançar à luz do dia, a sorrir nas redes sociais, a sentar-se à mesa das famílias e a aplaudir enquanto tudo se desmorona.

Vejo o diabo fazendo festa quando o errado passa a ser normal e o correto vira motivo de gozo. Quando a mentira recebe mais aplausos do que a verdade e quando quem insiste em ser honesto é tratado como tolo, antiquado ou inimigo do progresso. Ele festeja quando a consciência é vendida a troco de likes, cargos, favores ou migalhas de poder.

Na nossa geração, o diabo descobriu que não precisa destruir igrejas; basta esvaziá-las de sentido. Não precisa acabar com a fé; basta transformá-la em espetáculo, em comércio, em instrumento de manipulação. Vejo-o aplaudir quando se reza muito, mas se vive pouco aquilo que se proclama. Quando a Bíblia é citada, mas o amor ao próximo é ignorado. Quando se condena o pecado do outro e se justifica o próprio com uma facilidade assustadora.

Ele faz festa nas famílias divididas, onde o orgulho fala mais alto que o perdão. Onde irmãos não se falam, pais e filhos vivem como estranhos, e a reconciliação é adiada como se o tempo fosse infinito.

Vejo o diabo rindo alto quando a juventude perde o sentido da vida. Quando o suicídio deixa de chocar, quando a droga vira opção, quando o álcool vira anestesia e quando o corpo vira mercadoria. Ele celebra quando a sexualidade é esvaziada de responsabilidade, quando o amor é confundido com uso e descarte, quando promessas são feitas sem intenção de cumprir.

 

Vejo o diabo celebrando quando a liberdade de expressão é sufocada com medo, quando jornalistas são silenciados, quando a verdade incomoda mais do que a mentira confortável. Ele vibra quando a mediocridade é promovida e a competência é descartada por não servir interesses obscuros.

Na nossa geração, o diabo descobriu que a sua maior vitória não é fazer o mal, mas convencer as pessoas de que o mal é relativo. Que tudo depende do contexto, da conveniência, da situação. Ele festeja quando já ninguém quer assumir responsabilidades, quando todos se dizem vítimas e ninguém se reconhece culpado.

Mas talvez a sua maior festa seja quando o bem se cala. Quando os que sabem a verdade preferem o silêncio. Quando os que poderiam denunciar escolhem acomodar-se. Quando os que deveriam educar desistem. Quando os que acreditam deixam de agir.

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