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SOCIEDADE

UniLúrio promove debate sobre os desafios da mulher no ensino superior no norte de Moçambique

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ILHA DE MOÇAMBIQUE,— Investigadoras e académicas reuniram-se esta terça-feira (29) na Mediateca do BCI, na Ilha de Moçambique, para um debate sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no ensino superior, com enfoque particular na realidade das províncias do norte do país. A actividade foi promovida pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lúrio (UniLúrio), no âmbito dos 50 anos da Independência Nacional.

A mesa redonda contou com cinco oradoras que partilharam experiências, dados e propostas, visando tornar o ensino superior mais equitativo e inclusivo para as mulheres.

Télcia Manhique  Fernando , MSc, Directora da Faculdade de Ciências Naturais, abriu o debate com uma reflexão inspirada na obra “Do País Sonhado ao País Vivido”, sublinhando que a promessa de igualdade de género ainda está longe de se concretizar, plenamente. “As estatísticas podem melhorar, mas a equidade real depende de mudanças estruturais profundas”, defendeu.

Elsa Assiaty de  Agostinho, PhD, Directora da Faculdade de Engenharia, fez uma leitura histórica da presença feminina no ensino superior desde a independência. Assinalou progressos importantes, mas também desafios persistentes. “Ainda enfrentamos casamentos precoces, desigualdade de oportunidades e insegurança — realidades que continuam a afastar mulheres da vida académica”, alertou.

Benilda Cololo, PhD, Directora Adjunta Pedagógica da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico, cruzou dados demográficos, políticas públicas e indicadores de género, lembrando que “não basta aumentar o número de mulheres nas universidades — é preciso garantir condições para que elas permaneçam, se destaquem e ascendam a posições de liderança.”

Ana Nércia Manhiça, MA, Directora da UniLúrio Business School, destacou a sub-representação feminina nos cargos de chefia das instituições do ensino superior, especialmente no norte. “As barreiras não são apenas institucionais, são também culturais. Precisamos de mentoria, políticas claras e ambientes onde liderar não seja uma exceção para as mulheres”, afirmou.

Bernardette Manhiça, MA, Directora Adjunta Administrativa da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, trouxe uma leitura situada sobre os desafios na Ilha de Moçambique, onde a presença feminina na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas convive com obstáculos culturais, precariedade de infra-estruturas e dificuldade em conciliar vida familiar e carreira. “Ser mulher académica aqui exige resiliência constante — mas também há conquistas, com mulheres a liderar departamentos e serviços”, pontuou.

No encerramento, as participantes defenderam maior comprometimento institucional no combate ao assédio, mais bolsas para mulheres, e estratégias de apoio à liderança feminina como caminho para uma academia mais justa e transformadora. Faizal Raimo

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