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SOCIEDADE

UNICEF alerta: milhares de crianças sem escola, comida e protecção em Nampula

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Às vésperas do Dia da Criança, a UNICEF alerta para um cenário “crônico e preocupante” enfrentado por milhares de crianças na província de Nampula, onde os efeitos de fenómenos climáticos extremos, a desnutrição severa e o abandono escolar continuam a comprometer o desenvolvimento integral da infância.

Segundo Baisamo Marcelino Juaia, chefe do Escritório da UNICEF em Nampula, a província continua a ser um dos territórios mais vulneráveis de Moçambique no que diz respeito à sobrevivência e ao desenvolvimento infantil. “Estamos a celebrar o mês da criança, mas com enormes desafios diante de nós”, declarou.

Um dos problemas mais graves enfrentados actualmente resulta da devastação provocada pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que atingiram a província entre 2023 e 2024. Os três fenómenos deixaram centenas de salas de aula destruídas ou inoperacionais. “Há crianças que hoje aprendem à sombra de árvores. Escolas ficaram em ruínas e não há cobertura suficiente para garantir um espaço digno de aprendizagem”, lamentou o representante da UNICEF.

Perante este cenário, a organização, em parceria com o governo provincial e a Direcção Provincial de Educação, iniciou a instalação de mais de 120 tendas escolares como solução temporária, ao mesmo tempo que apoia reabilitações pontuais onde for possível.

Entretanto, o drama da má nutrição crónica continua a ser um dos grandes flagelos silenciosos. Juaia recordou que, em 2017, Nampula registava 50,1% de taxa de desnutrição crónica infantil, uma das mais elevadas do país. “Embora tenhamos registado melhorias nos últimos anos, ainda existem dezenas de comunidades onde as crianças enfrentam deficiências nutricionais graves que comprometem o seu crescimento e aprendizagem”, alertou.

Outro aspecto alarmante destacado pela UNICEF é o elevado número de crianças fora do sistema escolar. Muitas nunca entraram numa sala de aula, outras desistiram precocemente por falta de condições, trabalho infantil ou discriminação de género. “O local da criança é na escola. Não estando lá, isso não pode ser visto apenas como falha dos pais, mas como uma responsabilidade da sociedade e das instituições públicas”, sublinhou Juaia.

Para combater a exclusão escolar, a UNICEF apoia um conjunto de acções: formação de professores para lidar com a retenção escolar, promoção da participação dos pais na gestão das escolas e criação de ambientes seguros e acolhedores para os alunos, com especial foco na educação da rapariga, frequentemente forçada a abandonar a escola devido a casamentos prematuros ou gravidez precoce.

“Há um esforço para tornar as escolas seguras, reforçar a gestão escolar participativa e capacitar professores para lidar com os desafios actuais. As crianças precisam sentir-se protegidas e motivadas a continuar na escola”, afirmou.

Com este apelo, a UNICEF pede um reforço da acção conjunta entre o governo, sociedade civil e comunidades locais para garantir que nenhuma criança seja deixada para trás. Num território marcado por pobreza, catástrofes e deslocamentos, o direito à infância plena permanece ainda como um sonho distante para milhares de pequenos moçambicanos. Faizal raimo e Zefereino Jumito

 

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