SOCIEDADE
Após detenções, activistas desafiam o medo com nova marcha
Menos de um mês após a detenção do activista Gamito dos Santos e da repressão policial à primeira tentativa de manifestação, um novo grupo de cidadãos decidiu avançar com uma segunda marcha popular na cidade de Nampula, marcada para o dia 31 de Maio, com o objectivo de exigir transparência governamental e soluções urgentes para a crise de combustíveis que afecta a província e o país.
Desta vez, a iniciativa é liderada pelo activista social e defensor de direitos humanos Sismo Eduardo Muchaiabande, que já notificou formalmente o Comando Provincial da PRM, o Conselho Municipal da Cidade de Nampula, o Conselho Executivo Provincial e o Conselho de Representação do Estado, solicitando garantias legais e de segurança para a realização da marcha.
A concentração está agendada para as 08h00 no mercado Waresta, e o percurso deverá abranger as principais artérias da cidade: avenida do Trabalho, avenida Paulo Samuel Kankhomba, praça da Liberdade, rua dos Continuadores, com o término previsto no terminal de transporte semi-colectivo da Muhala Expansão, popularmente conhecido por “Djalo”.
Segundo a carta de notificação, o protesto visa exigir ao Governo central e local explicações concretas e públicas sobre a prolongada escassez de combustíveis, que tem gerado uma economia paralela com preços inflacionados. Em alguns bairros periféricos, o litro de gasolina chega a ser vendido entre 200 a 300 meticais, mais do dobro do preço oficial.
“Esta situação decorre sob o olhar impávido das autoridades públicas, que não prestam contas nem oferecem soluções claras”, lê-se no documento.
“A crise de combustíveis afecta severamente o transporte de pessoas e mercadorias, encarece o custo de vida e coloca em risco a sobrevivência de milhares de famílias que dependem de actividades informais ou pequenos negócios”, explicam os organizadores.
Desde o início de 2025, Nampula tem enfrentado uma crise sistémica no abastecimento de combustíveis, marcada por longas filas nas bombas, ausência de gasolina durante vários dias consecutivos e uma crescente dependência de vendedores clandestinos. A situação atinge com particular gravidade transportadores semi-colectivos, mototaxistas, agricultores e pequenos comerciantes, que reclamam pela falta de alternativas e pelo silêncio do Governo.
A tentativa anterior de manifestação, realizada a 10 de Maio, foi duramente reprimida pela Polícia da República de Moçambique (PRM), que deteve o activista Gamito dos Santos e dispersou os manifestantes com recurso à força, impedindo a realização do cortejo. O episódio gerou indignação nacional e foi denunciado por organizações da sociedade civil como uma violação grave do direito constitucional à manifestação.
Com base nessa experiência, os organizadores sublinham o carácter estritamente pacífico da marcha e apelam à responsabilidade das autoridades para que, desta vez, respeitem o artigo 51.º da Constituição da República, que consagra o direito de todos os cidadãos a se manifestarem de forma ordeira, sem necessidade de autorização prévia, bastando a notificação. Faizal Raimo
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