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SOCIEDADE

UNFPA alerta para crise dos direitos reprodutivos das mulheres moçambicanas

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O coordenador do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) nas províncias de Nampula e Zambézia, Roberto Manjate, lançou um alerta contundente sobre a crise silenciosa que afecta os direitos reprodutivos das mulheres em Moçambique: “Apenas uma em cada três mulheres pode tomar decisões sobre a sua saúde reprodutiva”, declarou.

Falando durante as celebrações do Dia Mundial da População, realizadas a 11 de Julho em Nampula, Manjate destacou que o actual cenário da fecundidade no país não deve ser visto apenas como uma questão estatística, mas sim como um problema de direitos, escolhas e esperança. “Há uma crise real da fecundidade, e essa crise está directamente ligada à falta de condições para que as pessoas, especialmente os jovens, realizem os seus desejos de constituir família”, afirmou.

Segundo dados apresentados pelo UNFPA, cerca de metade das raparigas moçambicanas dá à luz antes dos 18 anos, 48% das mulheres casam antes dessa idade, apenas 25% das mulheres entre os 15 e 49 anos utilizam métodos contraceptivos modernos e mais de 27% têm necessidades não satisfeitas em matéria de planeamento familiar.

“Estes números reflectem uma realidade que precisa de ser transformada com urgência”, reforçou Manjate, sublinhando que o acesso limitado a serviços de saúde sexual e reprodutiva, as dificuldades económicas, o custo elevado da habitação e da educação, a desigualdade de género e a falta de esperança num futuro melhor estão a impedir milhões de jovens de planearem livremente as suas vidas.

O representante do UNFPA destacou que um crescimento populacional saudável só será possível se for inclusivo, sustentável e centrado nas pessoas, como preconiza a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044. “A juventude é o maior potencial de transformação que temos. Empoderá-los é garantir que tenham acesso à educação, a um emprego digno, a serviços de saúde sexual e reprodutiva, e à liberdade de decidir sobre os seus corpos, as suas vidas e as suas famílias”, declarou.

Roberto Manjate apelou a todos os sectores da sociedade a “expandirem escolhas e não barreiras”, defendendo políticas públicas que respeitem os direitos das mulheres, dos jovens e de todas as pessoas marginalizadas, incluindo migrantes, jovens das zonas rurais e minorias sexuais. “Um crescimento populacional equilibrado depende, acima de tudo, do crescimento das oportunidades e da esperança”, concluiu. Redacção

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