SOCIEDADE
Centro de Saúde de Namicopo reabre após vandalização com apelo à protecção comunitária
Após seis meses de encerramento forçado devido a actos de vandalismo ocorridos no período pós-eleitoral, o Centro de Saúde de Namicopo voltou a abrir portas esta sexta-feira (11), num ambiente marcado por emoção, apelos à responsabilidade cívica e alívio por parte dos moradores. A cerimónia de reabertura contou com a presença do presidente do Governador de Nampula, Eduardo Abdula e o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Luís Giquira, representantes do Governo Provincial, parceiros do sector da saúde e membros da comunidade local.
“Este hospital não é do Município, é da população”
Durante a cerimónia, o presidente do município, Luís Giquira, destacou o simbolismo da reabertura e apelou à vigilância comunitária para garantir a preservação da unidade sanitária, localizada num dos bairros mais densamente povoados da cidade.
“Este hospital fez muita falta à população de Namicopo. Recebemos muitos clamores enquanto estava destruído. Hoje, queremos entregá-lo de volta à comunidade, para que cuide dele como se fosse a sua própria casa”, afirmou Giquira.

O presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, corta a fita durante a cerimónia de reinauguração do Centro de Saúde de Namicopo, devolvendo a unidade à comunidade após obras de reabilitação.
A reabilitação foi possível graças à mobilização de recursos por parte do Conselho Municipal, em coordenação com o Governo Provincial e parceiros locais. A unidade passa agora a oferecer serviços como saúde materno-infantil, consultas de doentes crónicos, vacinação de rotina e rastreios preventivos.
“Este hospital não é do Município, é da população. Cabe-nos a todos garantir que nunca mais volte a ser destruído”, reforçou o edil, visivelmente emocionado.
Moradores assumem responsabilidade: “Quem sofre não é o Governo, é o povo”
A reabertura do centro foi recebida com entusiasmo por parte dos utentes, que durante meses enfrentaram dificuldades extremas no acesso aos serviços de saúde. Muitas famílias percorriam longas distâncias para obter atendimento em outros bairros da cidade.

Estela Eugénio
“Estou muito satisfeita. Antes, quando a minha filha adoecia, tinha de levá-la até ao centro de saúde 25 de Setembro. Era muito longe”, contou Estela Eugénio, uma das utentes presentes na cerimónia.
Rosa Momade, também residente em Namicopo, reforçou o compromisso com a preservação do centro e criticou os actos de vandalismo. “Sofremos muito aqui em Namicopo. Adoecíamos e tínhamos de acordar cedo para procurar atendimento noutros bairros. Este centro que hoje reabrimos foi o mesmo que destruímos”, lamentou.

Rosa Momade
Rosa revelou ainda que os moradores chegaram a ser estigmatizados noutros centros. “Chegávamos e diziam que destruímos o nosso próprio posto de saúde. Mas agora eu vou ser mobilizadora. Ninguém mais vai destruir este centro, porque quem sofre não é o Governo, é o povo.”
Autoridades de saúde reforçam apelo à protecção e consciência comunitária
Para o chefe do Departamento de Saúde Pública, Geraldino Avalinho, a reabertura do centro representa um “balão de oxigénio” para os serviços hospitalares da cidade de Nampula, que estiveram sob pressão durante o encerramento da unidade de Namicopo.
“A população percorria distâncias abismais para ter acesso a cuidados médicos. Hoje, com o apoio do Conselho Municipal, conseguimos garantir o regresso dos serviços essenciais”, declarou.
A Centro de Saúde de Namicopo conta agora com equipa médica, medicamentos e serviços reactivados. Em matéria de segurança, Avalinho destacou a presença de um posto policial anexo, mas deixou claro que a vigilância deve ser sobretudo comunitária.
“A polícia ajuda, mas são os cidadãos os principais guardiões das suas unidades sanitárias. A população sentiu na pele o que é ficar sem centro de saúde e agora começa a compreender o valor da sua conservação”, concluiu. Faizal Raimo
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