POLÍTICA
Secretário de Estado alerta para urgência de autonomia financeira dos órgãos locais
O Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, defendeu recentemente a urgência de se conferir autonomia financeira aos órgãos locais, como distritos e autarquias, por considerar que a dependência exclusiva das transferências do Governo central compromete o desenvolvimento local e a prestação de serviços essenciais à população.
“Se queremos desenvolver, temos de ter recursos próprios. Não podemos depender dos apoios e dos projectos”, afirmou o governante.
Acrescentou que essa cultura deve ser enraizada desde cedo, através da educação fiscal nas escolas.
“Provavelmente deve-se começar a incutir, desde criança, nas escolas. Nos países mais desenvolvidos, quando chega a altura, as pessoas já sabem: ‘tenho isto a pagar, tenho aquilo a pagar’. Não é preciso ninguém andar atrás para cobrar impostos”, explicou.
Plácido Nerino sublinhou que a autonomia financeira é fundamental para que os órgãos locais possam investir em infra-estruturas, saúde, educação e outros serviços básicos, especialmente nas comunidades mais recônditas.
“Governar implica prestar serviços. Para melhorar a governação, é preciso desenvolver esforços para resolver os problemas que ainda persistem.”
Ao abordar os desafios da descentralização, o dirigente destacou que o processo tem sido marcado por avanços e recuos:
“Este processo é feito de avanços e retrocessos. Numa fase, foram transferidos muitos fundos, e houve progresso porque os distritos passaram a ter autonomia e recursos.”
No entanto, lembrou o impacto da crise provocada pela dívida oculta, que travou as transferências:
“A partir de 2014, surgem os problemas. A dívida oculta afectou o país como um todo. Os recursos que antes eram transferidos para os distritos deixaram de ser canalizados em condições óptimas.”
O Secretário de Estado apelou também ao fortalecimento da participação cidadã na governação local, defendendo a reactivação de plataformas comunitárias:
“É preciso criar condições para uma efectiva participação do cidadão nos processos inerentes à governação. Eu sempre defendo a reactivação dos conselhos consultivos distritais. É ali onde se vê uma democracia participativa, e não apenas representativa.”
Plácido Nerino Pereira, que falava durante o simpósio dos 50 anos da Independência, organizado pelo partido FRELIMO, concluiu reforçando o apelo à construção de uma cultura tributária sólida e à necessidade de geração de receita local como base para a verdadeira autonomia.
“Se queremos desenvolver, temos de ter receita própria. Não podemos depender dos apoios, dos projectos. Governar implica prestar serviços, e isso só será possível com autonomia financeira real.” Vânia Jacinto
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