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POLÍTICA

 “Querem transformar-me no rosto da crise eleitoral”

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Político exige transparência sobre alegações e denuncia tentativa de manipulação judicial para ocultar crimes cometidos pelas forças de segurança

À porta da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Maputo, Venâncio Mondlane falou esta manhã à imprensa com o tom firme de quem se sente alvo de uma perseguição política disfarçada de legalidade. “A notificação que recebi fala de esclarecimentos adicionais. Mas eu próprio não faço a menor ideia do que se trata. Vim aqui para saber que tipo de ‘esclarecimentos’ a Procuradoria quer de mim”, afirmou.

Mondlane, que já tinha sido chamado pela mesma instituição, reiterou que esta nova convocatória “é mais uma tentativa desesperada de fabricar provas, com o propósito claro de me associar à crise eleitoral que o país viveu”.

“Estamos perante uma leitura unilateral da crise. Uma instrumentalização descarada do aparelho judicial para me transformar no rosto do caos eleitoral”, denunciou.

Segundo o político, os factos demonstram que “a verdadeira crise não está em Venâncio, mas nas atrocidades cometidas pelas forças policiais, reconhecidas até por missões internacionais que classificaram os abusos como crimes contra a humanidade”.

“Se a Procuradoria fosse realmente guardiã da legalidade, estaria a investigar os agentes da polícia, os crimes cometidos nas manifestações e os actos de repressão violenta. Mas até hoje, não vimos uma única acusação contra os autores desses abusos”, concluiu Mondlane. Faizal Raimo

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