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ECONOMIA

Quadras festivas expõem crise no transporte rodoviário em Nampula

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Com a aproximação do Natal e do fim do ano, viajar a partir da cidade de Nampula tornou-se um verdadeiro desafio para centenas de passageiros, devido à elevada procura por bilhetes e à escassez de viaturas em circulação. A situação tem provocado longas filas, desorganização no atendimento e o adiamento sucessivo de viagens.

Nos últimos dias, clientes das principais empresas de transporte interprovincial mostram-se preocupados e constrangidos com a lentidão no processo de venda de bilhetes, relatando que chegam de madrugada aos balcões e permanecem horas — ou mesmo dias — sem conseguir garantir lugar para viajar.

Segundo apurou a nossa reportagem, a situação é tão grave que, em vários casos, os passageiros regressam por dias consecutivos sem conseguir comprar bilhete. As constantes informações de viaturas lotadas e o cancelamento frequente de bilhetes aumentam o clima de frustração entre os utentes.

Rui Estêvão, passageiro com destino a Tete em missão de trabalho, relata estar há três dias a tentar comprar bilhete sem sucesso.

“Comprar bilhetes aqui não está fácil. Já estou a fazer três dias. Vim ontem e antes de ontem e hoje cheguei aqui às 4h30, mas já encontrei muita gente. Tentámos falar com a empresa para o segurança organizar a fila, mas nada está a acontecer. Estamos a empurrar-nos de um lado para o outro. Há pessoas que compram bilhetes com listas de dez a vinte pessoas. Veja só a quantidade de gente que está aqui, e eu estou a falar desde as 4h30. Não está nada fácil”, lamentou.

O passageiro aponta a desorganização como o principal problema no processo de venda.

“A desorganização é o maior problema. Se a própria empresa se organizasse, isto não estaria a acontecer. Uma pessoa corta vinte bilhetes, enquanto há outras que chegaram há três horas e continuam à espera”, acrescentou.

Benildo Assane também afirma estar a enfrentar dificuldades desde antes de ontem, sobretudo para a rota Nampula–Beira.

“Desde antes de ontem estou a tentar e dizem que acabou, que o carro para Beira já está lotado. Cheguei às 5 horas e dizem que já não há bilhetes. Eu queria cortar hoje para viajar amanhã, mas vou ter de adiar a viagem. Acho que isto acontece por falta de organização da fila. Eles dizem que não se responsabilizam pela bicha e assim está tudo de qualquer maneira”, explicou.

O passageiro defende a abertura de mais balcões para agilizar o processo.

“O processo está lento. Estou aqui há duas ou quatro horas. Acredito que a empresa deveria abrir mais balcões de venda para tornar tudo mais rápido. Há muita desorganização; há pessoas que compram bilhetes para duas ou três pessoas, enquanto outras esperam desde madrugada”, afirmou.

Albertino Sérgio, que pretendia viajar para Lichinga, confirma o cenário de enchentes e viaturas lotadas.

“Há muita enchente e também há pessoas que colocam bicha para outros. Vim comprar bilhete para Lichinga, mas o carro está lotado. Comecei hoje a tentar, mas há pessoas que estão aqui há três ou quatro dias. Não é falta de transporte, é a lotação. Por causa das quadras festivas, há tendência de lotar. A única coisa que posso dizer é que as pessoas devem vir cedo para conseguirem transporte”, referiu.

As rotas mais procuradas nesta época ligam Nampula a Beira, Quelimane e Lichinga, concentrando a maioria dos passageiros que tentam viajar nesta quadra festiva, marcada por expectativas de reencontro familiar, mas também por longas esperas e incertezas. Zeferino Jumito

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