ECONOMIA
Pais denunciam aliciamento de menores para uniões prematuras em Nampula
Pais e encarregados de educação na cidade de Nampula afirmam que adolescentes continuam a ser aliciadas por homens mais velhos para entrarem em uniões prematuras, prática que, segundo denunciam, está a comprometer o futuro de muitas jovens.
Os entrevistados apontam como principais causas do fenómeno a falta de diálogo familiar, a fraca adesão aos conselhos dos pais, a influência das redes sociais e de novelas estrangeiras, más companhias e conflitos no seio familiar. Alguns referem ainda as dificuldades económicas como factor que contribui para a ocorrência desses casos.
Rosário Joaquim, uma das encarregadas de educação ouvidas, considera que muitas menores são vítimas de indivíduos que usam dinheiro para as seduzir e persuadir a envolverem-se em relações precoces que acabam em uniões prematuras.
“Não é bom. Antigamente via-se um homem de 30 anos envolver-se com uma jovem de 15, mas hoje isso já não devia acontecer. Muitos homens com dinheiro começam a aliciar, prometem coisas, ameaçam, e as meninas acabam por aceitar. Depois vemos crianças grávidas, sem responsabilidade. O homem é que fica satisfeito, mas a criança e os pais ficam prejudicados”, afirmou.
Rosário apelou aos pais para que não aceitem propostas de união envolvendo filhas menores, sublinhando que as uniões prematuras prejudicam o futuro económico, a saúde e o desenvolvimento das adolescentes.
“Temos que aconselhar, mesmo que às vezes não ouçam. Unir-se aos 12, 13 ou 14 anos não é possível. Isso prejudica o corpo e o futuro da criança”, acrescentou.
Por sua vez, Rosa Armando considera que actualmente há menor valorização dos conselhos dos mais velhos e admite que, em alguns casos, a própria situação económica das famílias contribui para as uniões prematuras.
“Há pais que, por não terem condições de sustentar os filhos, pensam que, unindo-os cedo, aliviam a responsabilidade. Outras crianças não se entendem em casa e não ouvem conselhos. Mas os pais devem continuar a orientar e controlar os filhos, mesmo quando eles resistem”, defendeu.
Laura Mário também lamenta a situação e afirma que as uniões prematuras frustram as expectativas que as famílias depositam no futuro das crianças.
“Não gostaria de ver os meus netos unirem-se cedo. Muitas vezes é curiosidade das próprias crianças, influência do que veem nas novelas e nas redes sociais. Alguns jovens não respeitam os mais velhos, fumam, engravidam e depois não querem assumir”, afirmou.
A encarregada de educação considera que o fenómeno está ligado à mudança de comportamentos entre os jovens e à crescente exposição a conteúdos que incentivam experiências precoces.
Os pais entrevistados defendem maior diálogo familiar, reforço da educação e vigilância comunitária como formas de travar o avanço das uniões prematuras na cidade de Nampula. Zeferino Jumito
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