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OPINIÃO

O País da Pátria Dividida e Submersa

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Moçambique parece hoje um livro de geografia escrito por um deus cruel, onde cada região recebeu uma praga diferente, como anteriormente o povo do Egypto recebeu pragas por desobediência e por serem idolatras. Hoje o país vive    como se estivéssemos a cumprir um castigo por crimes que o povo  cometeu.  O mapa do país já não se divide por províncias, mas por tragédias.

No Norte, em Cabo Delgado, a palavra de ordem é o silêncio do medo. Já lá vão oito anos de uma guerra que ninguém explica bem, mas que todos sentem no peso dos pés de quem foge. Mais de um milhão de pessoas já foram forçadas a deixar as suas casas, fugindo de assassinatos brutais e pilhagens. Enquanto os políticos celebram a “retoma total” de projetos de gás, o povo continua a contar mortos e a dormir no mato,  passar fome , bebendo de aguas improprias para sobreviver e alguns tendo o mesmo fim do qual tentam se  afastar mas a fome não os deixa dormir o teto não existe a segurança já não digo tudo isso  por receio de novos ataques. É o paradoxo moçambicano: riqueza no subsolo e sangue do povo inocente que de nada sabe  no chão.

No Centro, o terror mudou de rosto e de arma,  Surgiram os “homens de catana”, fantasmas que semeiam o pânico em cidades como Chimoio, Manica e Beira. Já foram províncias mais seguras para se viver, sem contar o custo de vida baixo , atraia mais estudantes das províncias vizinhas como inhambane, mas agora o cenário é outro  insegurança das pessoas esta os sufocando. O mercado já não e seguro  escola e os moto taxi de noite já e perigoso e  A polícia tenta acalmar os ânimos dizendo que são casos isolados ou boatos, mas a verdade é que ninguém se sente seguro quando o brilho do metal substitui o da luz das ruas. A insegurança tornou-se o novo vizinho indesejado, aquele que não bate à porta, entra por ela com a lâmina na mão.

E no Sul? Ah, o Sul. Se no Norte se foge do fogo cruzado no centro os sons das catanas e laminas afiadas no Sul foge-se da água. Maputo e Gaza tornaram-se arquipélagos de desespero. O famoso rio Nilo veio ate nos? Ou e o mar  que o rei imothep enviou para nos em busca da sua amada anguesenamon

Enquanto as estradas se cortam e a capital fica isolada, o governo faz contas à reconstrução — mais de 600 milhões de dólares — verba que, como sabemos, raramente chega a quem perdeu a casa de colmo ou a pequena machamba de subsistência.

Moçambique é hoje um país que sobrevive em estado de alerta permanente. É um povo resiliente, dizem os discursos oficiais. Mas a resiliência tem limites. Não se pode pedir resiliência a quem tem a casa submersa, o pescoço sob a catana ou o destino entregue aos insurgentes.

O país parece um doente com múltiplas hemorragias onde o médico — o Estado — se limita a pôr pensos rápidos onde devia haver cirurgia. Celebram-se os “sucessos” macroeconómicos enquanto o micro, o humano, o pai de família de Cabo Delgado ou a mãe de Maputo, se afoga na lama ou no medo. Se a pátria é amada, devia ser protegida; e hoje, de Norte a Sul, o moçambicano sente-se órfão de um país que tem tudo para ser paraíso, mas que insiste em ser um roteiro de sobrevivência

 

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