OPINIÃO
Não quero morrer com palavras por dizer
Há palavras que queimam por dentro. Verdades que não se podem guardar. Histórias que o medo tenta enterrar, mas que insistem em vir à tona. Eu não quero morrer com palavras por dizer. Não quero que a minha voz se perca no silêncio dos que têm medo. A vida é curta, sim, e amanhã, se Deus quiser, pertencerei a Ele. Mas enquanto viver, hei de falar.
Vivemos num país onde a verdade incomoda, onde a liberdade de expressão é um luxo para poucos, e onde os que falam alto são perseguidos, caluniados ou silenciados. É triste constatar que muitos preferem o silêncio confortável à dor da denúncia. Preferem fechar os olhos e aceitar o que lhes é imposto. Eu não posso. Nem quero.
Quero dizer que a injustiça está presente em cada esquina. Que os governantes desviam dinheiro que deveria servir para construir escolas e hospitais, enquanto crianças crescem sem acesso a uma educação digna e famílias morrem à espera de cuidados básicos. Quero dizer que a fome e a miséria não são fatalidades, mas consequências de escolhas erradas e de uma liderança que vira as costas ao povo.
Não me vou calar diante disso. Não posso. Porque calar é aceitar, e aceitar é ser cúmplice. E eu não quero ser cúmplice de um país que se afunda na corrupção e na desigualdade. Quero que as minhas palavras sejam um grito, um alerta, um convite à mudança. Quero que elas incomodem os que se acostumaram ao conforto da mentira e da manipulação.
Podem tentar matar-me. Podem fechar-me a boca. Podem fazer tudo para que eu pare de falar. Mas enquanto tiver vida, enquanto tiver voz, não vou calar-me. Morra quem morrer, mas as palavras ficam. As palavras que denunciam, que lutam, que resistem.
Não quero morrer com palavras por dizer. Porque a palavra é vida, é resistência, é esperança. E essa palavra, a minha palavra, ainda vai romper o silêncio e despertar quem ainda acredita num futuro melhor para este país.
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