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Nampula promove Conferência Internacional para transformar produção agrícola em nutrição e desenvolvimento sustentável 

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Evento inédito decorre a 10 e 11 de Julho e junta especialistas de quatro países para discutir como combater a desnutrição num cenário de elevada produção alimentar

 A cidade de Nampula vai acolher, nos dias 10 e 11 de Julho de 2025, a primeira Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio, uma iniciativa promovida pelo Conselho Executivo Provincial, sob alçada da Direcção Provincial da Agricultura e Pescas.

O evento responde a um paradoxo alarmante: apesar de registar mais de 13 milhões de toneladas de culturas diversas por ano, a província continua a apresentar uma taxa de desnutrição crónica de 46,7% em crianças menores de cinco anos.

“Temos um nível de produção elevado, mas também níveis preocupantes de desnutrição. Esta conferência quer ajudar-nos a compreender porquê e, sobretudo, como mudar esse cenário”, afirmou Chicamisse.

Painéis temáticos para abordar todo o ciclo da produção ao consumo

Ao longo dos dois dias, serão realizados quatro painéis temáticos, com foco em diferentes elos da cadeia produtiva e alimentar.

O primeiro painel será dedicado ao aumento da produção e da produtividade nos sectores agrário, pecuário e pesqueiro. O segundo abordará a melhoria da nutrição e da segurança alimentar. No segundo dia, o terceiro painel centrar-se-á na comercialização agrícola, nos mercados e no desenvolvimento do agronegócio, enquanto o quarto e último painel tratará da logística, das cadeias de valor e das exportações de produtos de alto valor económico.

A conferência contará com a participação de especialistas do Brasil, Angola, África do Sul e Itália, além de representantes de organizações internacionais como a FAO, UNICEF, PMA e AGAIN, esta última sendo uma das principais financiadoras do evento.

Desnutrição e consumo desequilibrado no centro do debate

Chicamisse reconhece que uma das causas da desnutrição está relacionada com o facto de muitos produtores comercializarem quase toda a produção, deixando pouco para o consumo familiar.

“Precisamos garantir que as famílias produzem não só para vender, mas também para consumir alimentos de qualidade e em quantidade. Uma alimentação equilibrada passa por refeições diversificadas com raízes, hortícolas, cereais, carne e peixe”, destacou.

Além disso, o evento vai discutir educação nutricional, com destaque para a alimentação infantil, promovendo o conhecimento sobre nutrientes e alimentos prioritários para crianças em fase de crescimento. Especialistas irão abordar como traduzir a produção agrícola em refeições completas, especialmente nas zonas rurais.

 Brasil e Angola partilham experiências de transformação agrícola e nutricional

Entre os países convidados, Brasil e Angola assumem protagonismo por apresentarem modelos comparáveis a Moçambique, mas com avanços notáveis. Angola, por exemplo, desenvolve actualmente programas intensivos de inseminação artificial e transferência de embriões, melhorando o rendimento do gado bovino e aumentando a produção de carne e leite.

“Angola e Moçambique partilham realidades semelhantes, mas Angola já avançou bastante. Queremos adaptar essas experiências e acelerar as mudanças em Nampula”, explicou Chicamisse.

 Logística e resiliência climática: desafios e oportunidades para escoar a produção

A conferência também abordará os desafios logísticos que limitam o acesso aos alimentos, sobretudo após as três tempestades tropicais que atingiram a província num curto espaço de quatro meses.

“Temos quatro corredores logísticos — rodoviário, ferroviário, marítimo e aeroportuário — mas ainda não os aproveitamos de forma integrada. Precisamos melhorar estradas, armazenagem, transporte e escoamento para conectar produção, consumo e exportação”, sublinhou.

 Política alimentar alinhada com a realidade local

Um dos principais resultados esperados da conferência é a produção de um plano provincial de segurança alimentar e nutricional, alinhado com as políticas nacionais, mas com forte componente territorial.

“Queremos uma política que reflita as necessidades e o potencial local. As soluções não podem ser importadas sem adaptação. Cada distrito tem sua realidade, e essa diversidade é a nossa força”, declarou Chicamisse.

Um apelo ao conhecimento, à acção e à mudança de mentalidades

Com esta conferência internacional, Nampula pretende não apenas reunir dados e especialistas, mas provocar mudanças concretas no comportamento alimentar, na valorização da produção interna e no fortalecimento do agronegócio como pilar de desenvolvimento.

“Se produzimos muito, temos que aprender a comer melhor. E se comermos melhor, teremos populações mais saudáveis, mais produtivas e um futuro mais promissor. Este é o espírito da conferência”, concluiu o director. Faizal Raimo

 

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