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SOCIEDADE

Município de Nampula estuda formas de integrar catadores na gestão do lixo

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O Presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, revelou que a edilidade está a estudar estratégias para lidar com o crescente desafio da recolha informal de resíduos por parte de catadores que, em busca de materiais recicláveis, acabam por contribuir involuntariamente para a desorganização do lixo nas vias públicas.

Segundo explicou o edil, o fenómeno tem sido observado sobretudo nas áreas onde se encontram contentores, locais em que alguns cidadãos, em situação de vulnerabilidade, passam o dia ou pernoitam à procura de objectos recicláveis ou restos alimentares. Esse processo, embora compreensível do ponto de vista social, resulta frequentemente na dispersão do lixo, dificultando os trabalhos dos agentes de saneamento.

“Estamos a lidar com um fenómeno novo na nossa cidade e estamos a estudar formas de resolver este problema nos próximos dias. Em muitos locais onde colocamos os contentores de lixo, infelizmente, há irmãos nossos a viverem ali e que, na busca por alimentos ou materiais recicláveis, acabam por espalhar o lixo na via pública”, declarou Luís Giquira, durante o lançamento do festival cultural alusivo ao 69.º aniversário do município, cerimónia realizada recentemente.

Ao invés de adoptar uma postura punitiva, o Conselho Municipal está a dialogar com diferentes actores da sociedade civil no sentido de encontrar soluções integradoras.

“Tivemos uma conversa com representantes da Igreja Universal para unirmos sinergias e encontrarmos formas de minimizar esta situação”, referiu o edil.

Catadores reconhecem dificuldades e pedem compreensão

Do outro lado, os próprios catadores de lixo reconhecem que, embora a sua actividade seja essencial para a subsistência, ela tem impacto na limpeza da cidade.

Issufo Momade Cassimo, catador há vários anos, reconhece a situação:

“Na verdade, somos nós que acabamos por sujar. Às vezes pedimos às pessoas para não revirarem o lixo de qualquer forma, mas nem todos colaboram.”

Outro catador reforçou a importância da actividade para o sustento das famílias:

“Faço este trabalho há anos. Com o pouco que ganho, consigo alimentar os meus filhos e comprar roupa. Só pedimos que o município tenha mais paciência conosco.”

Recorde-se que o Conselho Autárquico de Nampula encontra-se na fase de elaboração do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos 2025-2030, uma iniciativa que pretende transformar profundamente o sistema de limpeza urbana da cidade. Para além de medidas técnicas e operacionais, o plano contempla componentes de inclusão social, com o objectivo de criar oportunidades formais de trabalho e rendimento para os cidadãos que actualmente dependem da actividade informal de recolha de lixo.

O grande desafio será conciliar a necessidade de ordem e higiene nos espaços públicos com o respeito e a dignidade de quem sobrevive daquilo que a cidade descarta. Vânia Jacinto

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