SOCIEDADE
Estudantes da UCM lançam propostas para salvar Nampula do lixo e do plástico
Numa altura em que a cidade de Nampula enfrenta uma crise visível de gestão de resíduos e abandono de campanhas ambientais como a redução do uso do plástico, um grupo de estudantes universitários decidiu virar o jogo. Durante a feira de marketing intitulada “Pesquisa de Marketing, Tendências e Inovação do Mercado”, estudantes da Faculdade de Educação e Comunicação da Universidade Católica de Moçambique (UCM) apresentaram propostas ousadas, sustentáveis e de impacto imediato, desafiando as autoridades municipais a repensarem com urgência o modelo de saneamento urbano.
Em vez de discursos vazios, os estudantes levaram à mesa soluções práticas: contentores diferenciados por tipo de lixo, campanhas digitais de educação ambiental e alternativas viáveis ao uso de plásticos descartáveis. O objectivo é claro: transformar Nampula numa cidade mais limpa, consciente e amiga do ambiente.
Separar para limpar: campanha quer reeducar a cidade
Um dos projectos mais aplaudidos foi o da estudante Jenny Moreira, que propôs um sistema de separação de resíduos sólidos a ser adoptado nas escolas, mercados e ruas da cidade. A proposta inclui a substituição dos actuais contentores comuns por recipientes coloridos e específicos para cada tipo de lixo, conforme o modelo internacional: azul (papel), vermelho (plástico), amarelo (metal), verde (vidro) e castanho (resíduos orgânicos).
“Em Nampula, o lixo está por todo o lado — jardins, ruas, lixeiras saturadas. O que propomos é uma separação simples e educativa, começando pelas escolas. Os estudantes devem ser os primeiros agentes de mudança”, afirmou Jenny, defendendo que essa medida daria novo fôlego à gestão de resíduos do município.
A força do marketing digital na educação ambiental
Já o estudante Amadana Armando Brite e seu grupo apresentaram um website educativo chamado “Recuse o descartável e abrace o reutilizável”, que promove a redução do uso de plástico por meio de vídeos curtos, tutoriais e desafios interactivos.
“Estamos a recuperar uma campanha do Governo que quase caiu no esquecimento. Com esta plataforma, queremos mostrar que ainda é possível mudar hábitos, com ferramentas simples e acessíveis. A página vai estar disponível ao público gratuitamente, e esperamos que o município também a adopte nas suas acções comunitárias.”
Outras inovações com potencial nacional e internacional
A feira trouxe ainda propostas de produtos naturais com valor económico e social. Um dos grupos apresentou a moringa em pó, com elevado valor nutricional e já em comercialização no mercado regional. Outro grupo propôs um sumo natural de cana-de-açúcar com laranja e gengibre, sem adição de açúcar, com perspectiva de exportação para mercados como Portugal e Brasil, em parceria com a rede Pingo Doce.
“Queremos mostrar que o marketing também pode mudar o mundo — não apenas vender, mas resolver problemas”, afirmou Michael Chade, estudante do 3.º ano e co-organizador da feira. Daniela Caetano
-
SOCIEDADE4 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
DESPORTO1 ano atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA8 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA9 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
