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Marchal Chilimile critica ausência de estratégia do Governo, nove anos após início da insurgência

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O académico e analista político Marchal Manufredo Chilimile, actualmente a conduzir uma investigação sobre as tendências de expansão do terrorismo em Moçambique, alerta para a falta de uma visão estratégica clara por parte do Governo, quase nove anos após o início da insurgência em Cabo Delgado. Na sua análise preliminar, Chilimile critica a insistência numa abordagem exclusivamente militar, que considera insuficiente para conter o avanço do extremismo violento.

“Estamos a entrar no nono ano desde o início da insurgência, e ainda não há um discurso claro, nem uma política nacional estruturada sobre como combater o terrorismo. O Governo continua a insistir numa via meramente militar, ignorando outras soluções que o contexto exige”, afirmou o investigador, que desenvolve o estudo em coordenação com o Centro de Recursos Africanos do Amaral do Porto.

Para Chilimile, a ausência de uma resposta multidimensional — que envolva diálogo, inteligência social e análise aprofundada das motivações locais e internacionais dos grupos armados — tem contribuído para a perpetuação do conflito.

“Errámos desde o início ao nomear o fenómeno de forma vaga e contraditória. Isso fragilizou a nossa capacidade de resposta e dificultou a formulação de estratégias coerentes.”

O académico defende que é essencial compreender quem são os actores envolvidos, que alianças mantêm e que lógicas os movem.

“Precisamos saber a que redes pertencem. Se forem células ligadas à Al-Qaeda ou a outro grupo internacional, há abordagens específicas que devem ser consideradas. Noutros contextos, o diálogo foi possível — não podemos excluir essa via sem antes compreender a fundo o inimigo.”

Chilimile alerta ainda para o risco de expansão da violência para a província da Zambézia, com destaque para os distritos de Milange e Morrumbala, apontando a fragilidade das fronteiras com o Malawi como um factor crítico. Além disso, sublinha que o recente ataque à Reserva do Niassa revela uma mudança de estratégia dos grupos terroristas, que estariam a criar novas bases operacionais para expandir a sua acção para zonas menos vigiadas.

“A retaliação terrorista pode já estar em marcha. O silêncio que vivemos pode ser estratégico. É urgente uma resposta inteligente.”

O investigador lamenta também o silêncio do actual Governo sobre o tema.

“Não vejo uma direcção clara, nem no discurso do Presidente Daniel Chapo, nem nos posicionamentos dos seus ministros. Isso, por si só, constitui um risco político.”

Por fim, Chilimile apela à academia e ao Conselho de Ministros para que se promova uma mudança profunda no paradigma de análise e resposta ao terrorismo.

“Este problema não se resolve apenas com armas. É preciso atacar as suas raízes — a exclusão social, a má distribuição da riqueza, a revolta das comunidades. A paz começa com o entendimento.” Faizal Raimo

 

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1 Comment

1 Comment

  1. José Luzia

    Maio 15, 2025 at 4:56 pm

    Será que o Marchal se debruça também sobre as verdadeiras causas do terrorismo em CD? Sem essa análise tudo fica no campo das especulações…

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