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Saúde esclarece: sector público já não usa teste desactualizado para febre tifóide, mas privados mantêm prática que gera alarmismo
O Serviço Provincial de Saúde de Nampula veio a público esclarecer que as unidades sanitárias públicas já não utilizam o teste de Widal — um método considerado desactualizado e impreciso para o diagnóstico da febre tifóide — desde há mais de cinco anos. A posição foi apresentada pelo chefe do Departamento de Saúde Pública, Geraldino Júlio Avalinho, durante uma conferência de imprensa.
Segundo o responsável, o sector público passou a seguir protocolos internacionais, usando apenas o teste padrão ouro, ou seja, exames laboratoriais que permitem o isolamento da bactéria salmonella por meio de hemoculturas ou coproculturas. Em Nampula, apenas o Hospital Central e o Instituto Nacional de Saúde (INS) têm laboratórios credenciados para realizar este tipo de diagnóstico.
“Nós retiramos os testes de Widal das nossas unidades públicas depois de estudos confirmarem a sua pouca fiabilidade. Hoje, apenas utilizamos métodos laboratoriais seguros e validados”, afirmou Avalinho.
Contudo, o sector reconhece que alguns prestadores privados continuam a recorrer ao teste de Widal, o que tem alimentado percepções erradas entre a população sobre a verdadeira extensão da doença na província.
“Admitimos que no sector privado alguns continuam a usar esse modelo antigo. Isso tem gerado muitos falsos positivos e provocado alarme desnecessário. Pessoas chegam às unidades sanitárias dizendo que têm febre de tifóide apenas com base nesses testes”, explicou.
Um estudo recente, realizado em Nampula, mostrou que apenas 2% das amostras analisadas deram positivo para febre tifóide, contrariando a impressão generalizada de que a doença está amplamente disseminada.
Avalinho lamenta que a falta de regulação do sector privado esteja a contribuir para desinformação e diagnósticos sem rigor, o que compromete a confiança nas instituições de saúde. O responsável sublinhou ainda que a educação comunitária e a comunicação baseada em evidências devem ser reforçadas para travar o alastramento de mitos e percepções erradas.
“A febre tifóide é uma doença real, mas o diagnóstico tem de ser feito com responsabilidade. A confiança da população depende do rigor científico, não de testes ultrapassados.” Faizal Raimo
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