CULTURA
Liodêngua luta por paz no lar com “Lamúrias para o Meu Amor”
Num momento em que o mundo inteiro se mobiliza para travar as várias formas de violência, o jornalista e artista moçambicano Virgílio Teixeira Dengua, conhecido no meio literário como Liodêngua, lançou, esta quarta-feira, no espaço cultural Ruby, em Nampula, a obra Lamúrias para o Meu Amor, uma colectânea de poemas que se propõe como ferramenta de combate à violência baseada no género.
Com 42 páginas e 22 poemas intensos, o livro mergulha no drama silencioso de vítimas que, apesar de viverem situações de abuso, permanecem caladas — mas que, nas entrelinhas poéticas de Liodêngua, ganham voz e força.
“Lamúrias para o Meu Amor surge como uma ferramenta de combate à violência doméstica que, no final de tudo, fará com que os leitores levem essa mensagem para os mais próximos e, neste ciclo, tornemo-nos vectores de mudança de comportamento. No final, espero eu, que tenhamos uma sociedade muito melhor”, afirmou o autor durante o evento.
A obra revela o lado mais sombrio da convivência humana, apontando como o amor, quando deturpado pelo ego e pela irracionalidade, deixa de ser afecto para se tornar dor. Natural de Nampula e multifacetado — jornalista cultural, engenheiro técnico civil, artista plástico e gráfico —, Liodêngua tem usado a arte como forma de intervenção social desde tenra idade.
A activista social Rosália Vilankulos, que prefaciou o livro, descreveu a obra como um grito de alerta: “Liodêngua traz, para todos os moçambicanos — para o Governo, a Procuradoria e as instituições que lidam com a violência baseada no género — situações feias e erróneas, sensíveis de serem retratadas, mas que as mulheres vivem diariamente nos seus lares. Com este livro, todos nós somos convocados a agir.”
O jornalista Hélder Xavier, mentor de Liodêngua e responsável pela apresentação da obra, destacou o poder transformador da arte na luta contra os abusos: “O Liodêngua usa a poesia como uma arma para procurar uma solução e, consequentemente, chamar a atenção da sociedade para a importância de nos unirmos no combate à violência baseada no género.”
No encerramento do evento, Liodêngua dirigiu-se especialmente aos homens, apelando à autorreflexão: “Se notares que tens um comportamento violento, é fundamental procurar apoio. Aceitares que tens um problema é o primeiro passo para evitar que esse comportamento se torne um vício irreversível.”
Lamúrias para o Meu Amor deixa, assim, de ser apenas um livro. Converte-se num instrumento de consciencialização, um apelo à empatia e um convite à transformação — de quem lê e de quem, ao redor, precisa de ser ouvido. Daniela Caetano
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