SOCIEDADE
HCN faz primeiras cirurgias a portadores de albinismo com cancro de pele
Pela primeira vez na sua história, o Hospital Central de Nampula (HCN) vai realizar cirurgias especializadas em pessoas com albinismo afectadas por cancro de pele, num gesto inédito de reparação social para um dos grupos mais discriminados e perseguidos da província.
A campanha médica está agendada para os dias 2 a 7 de Junho, e abrangerá 36 pacientes previamente identificados nos distritos de Moma, Larde, Nacaroa, Monapo e Nacala, com idades entre 20 e 30 anos. Além de consultas e intervenções cirúrgicas, a missão inclui distribuição de protectores solares para os doentes – um item vital para esta população, altamente vulnerável aos efeitos nocivos da exposição solar.
“Esta missão não vem apenas tratar os pacientes, mas também transferir conhecimento para os nossos médicos, de modo que no futuro consigamos realizar estas cirurgias aqui mesmo, sem depender de missões externas”, explicou o dermatologista Marcelo Banquimane, durante uma conferência de imprensa no HCN.
A acção marca uma viragem histórica no atendimento à população albina, frequentemente marginalizada, estigmatizada e alvo de crimes brutais em Moçambique. Em Nampula, são vários os casos de assassinatos e tráfico de órgãos envolvendo albinos, sendo que, em diversas ocasiões, cidadãos foram detidos na posse de ossadas humanas alegadamente destinadas ao comércio clandestino.
Segundo o especialista, a missão médica já passou pelas províncias de Maputo, Gaza, Tete e Sofala, sendo agora estendida a Nampula, onde se concentra uma das maiores populações de pessoas com albinismo do país. O mapeamento foi feito com o apoio de associações locais, que identificaram os casos mais urgentes.
“Sabemos que o grande problema é mesmo com o sol. É por isso que muitos desenvolvem cancro de pele. Eles estarão cá também com protectores solares para distribuir a alguns dos doentes”, disse Banquimane.
Apesar da ausência de dados estatísticos consolidados, o HCN recebe entre dois a três casos mensais de cancro de pele em pessoas com albinismo. Estes pacientes já são atendidos com prioridade nos serviços de dermatologia e oftalmologia, sem necessidade de guia médica.
No fim do anúncio, o dermatologista deixou um apelo: “Mesmo que alguém não tenha sido mapeado pelas associações, pode entrar em contacto com o hospital. Esta campanha também serve para rastrear doenças de pele e acolher todos os que precisam de ajuda.”
A iniciativa representa um marco de dignidade e inclusão para um grupo historicamente silenciado, e poderá abrir caminho para que a cidade de Nampula se torne referência no tratamento local do cancro de pele entre pessoas com albinismo. Vânia Jacinto
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José Luzia
Maio 20, 2025 at 11:08 am
Parabéns por esta notícia.
Faltou referir quem são os parceiros externos que estão a viabilizar tão importante iniciativa.