CULTURA
Grupo Intercomedia acusa Casa Provincial de Cultura de funcionar como espaço privado
O Grupo Intercomedia denuncia que a Casa Provincial de Cultura de Nampula deixou de cumprir a sua missão pública, funcionando, na prática, como um espaço privado e inacessível aos artistas, apesar de se tratar de uma infra-estrutura estatal destinada à promoção cultural.
Em declarações exclusivas ao Jornal Rigor, o comediante e director executivo do grupo, Sabonete, afirmou que, embora a actividade cultural na província esteja viva, os artistas enfrentam sérios entraves para divulgar o seu trabalho.
“A cultura, a nível da província de Nampula, está boa, mas os dançarinos, os actores e os artistas em si não têm espaço de divulgação das suas artes”, afirmou.
Segundo o responsável, o problema não está na criação artística, mas na inexistência de espaços funcionais para a exibição das obras.
“Nós podemos escrever peças teatrais educacionais, falar de doenças diarreicas, malária, diabetes, mas o problema é o espaço da exibição dessa peça teatral”, explicou.
Sabonete criticou duramente o funcionamento da Casa Provincial de Cultura, sublinhando que o espaço existe apenas de forma formal.
“Da boca para fora está aberta, mas parece que é uma casa privada. Não é daquela casa de cultura antiga. Hoje, a Casa Provincial de Cultura funciona como se fosse privada”, denunciou.
O Intercomedia afirma que vários pedidos formais submetidos à direcção da Casa Provincial de Cultura para a realização de espectáculos são frequentemente indeferidos com a justificação de falta de espaço. No entanto, segundo Sabonete, a realidade observada no terreno contradiz essas respostas.
“Nós escrevemos requerimentos a pedir para exibir peças, até de forma gratuita. A Casa indeferiu dizendo que o espaço seria usado. Mas chegado o dia, fomos lá fiscalizar e não havia nenhum evento”, relatou.
O director executivo do grupo acrescentou que a situação persiste mesmo quando existe autorização da Direcção Provincial de Cultura e Turismo.
“A directora provincial autorizou, mas a Casa Provincial de Cultura, mesmo assim, encontra-se fechada”, afirmou, acrescentando que o espaço encerra cedo, inviabilizando actividades artísticas.
Sem acesso ao principal espaço cultural da província, os artistas dizem-se forçados a procurar alternativas improvisadas.
“Ensaiamos nas sombras das mangueiras, em parques, nos bairros, nos mercados ou na casa de algum actor que aceita ceder espaço”, contou.
Para Sabonete, o apoio mais urgente de que os artistas necessitam não é financeiro, mas institucional.
“O primeiro apoio é abrir as portas. Quem lidera esta casa tem de saber que ela é dos artistas. As portas têm de estar abertas”, defendeu.
Contactada pela nossa reportagem, a Casa Provincial da Cultura não quis pronunciar-se sobre a situação. Assane Júnior
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