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SOCIEDADE

Estrada esquecida no centro de Mutauanha isola moradores há três anos

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População denuncia abandono total, lixo, insegurança e falta de resposta do município

No coração do bairro de Mutauanha, na cidade de Nampula, uma das principais vias de acesso encontra-se completamente intransitável há mais de três anos, mergulhada no abandono e na revolta da população. A estrada que liga a sede provincial do STAE à Escola Básica de Mutauanha deixou de ser transitável em 2022 e tornou-se um símbolo gritante de negligência urbana.

Outrora uma alternativa eficiente para quem pretendia evitar a zona da Tipografia rumo ao mercado do Matadouro e à antiga Gorongosa, a via era considerada uma das mais rápidas e práticas da cidade — e a principal entrada de carro para o centro do bairro. Hoje, porém, está transformada num trilho de crateras, charcos, lixo e capim alto. Apenas cerca de 50 metros continuam minimamente transitáveis. Nos extremos — junto à STAE e à escola — ainda é possível circular em curtos troços que, no total, não ultrapassam 200 metros. O restante percurso está completamente isolado, como uma ilha esquecida em pleno espaço urbano.

Os moradores relatam dificuldades extremas para transportar doentes, insegurança constante à noite e a presença de mosquitos causadores de malária. “Estamos esquecidos. Choramos por esta estrada há anos. Já vieram autoridades, jornalistas e até televisão, mas tudo continua igual. As viaturas estão paradas, os doentes não conseguem chegar ao hospital, e os buracos só aumentam,” desabafa Madje Sadique.

Já Fátima Alfredo confessa: “Sonhei duas vezes com esta estrada arranjada. É o nosso maior pedido ao município. Precisamos de dignidade.”

Para Armando Atusi, residente de longa data, a degradação compromete não apenas a mobilidade, mas também a qualidade de vida e a economia local. “Quem tem viatura está a passar mal. Somos obrigados a usar vias alternativas, mas isso não resolve. Esta estrada ajudaria a descongestionar o trânsito se estivesse em condições. O município precisa agir com urgência,” defende. Segundo Atusi, a população já tentou organizar intervenções comunitárias, mas sem sucesso. “Vivemos num total abandono. Há quem deixe o carro na via pública porque não consegue entrar no quintal. E à noite, ninguém se arrisca a passar aqui.”

De acordo com Luís Pacuneta, secretário do bairro, a estrada está abandonada há três anos, apesar das promessas de pavimentação. “Falaram em pavê, mas nunca mais apareceu nada. Hoje, nem motorizadas conseguem passar. A estrada virou depósito de lixo e motivo de medo para quem precisa circular, principalmente à noite.”  Redacção 

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