SOCIEDADE
Degradação do Jardim Parque Popular ameaça o sustento dos fotógrafos em Nampula
O que antes era considerado um estúdio fotográfico ao ar livre, hoje transformou-se num cenário marcado pelo abandono e falta de cuidados, com o cinza a substituir o que antes era vibrante e colorido. Actualmente, o Jardim Parque Popular, situado na zona nobre da cidade de Nampula, é um local onde poucos cidadãos ainda escolhem para registar memórias.
Essa situação tem gerado preocupação entre os fotógrafos, que fizeram desse espaço o palco para contar histórias através das lentes das suas câmaras. De acordo com eles, a actividade tornou-se insustentável há algum tempo. A deterioração visível do Jardim Parque Popular tem impactado directamente na redução do número de clientes, prejudicando as fotos realizadas diariamente naquele local.
O Jardim Parque Popular de Nampula é um espaço público que historicamente tem sido um ponto de lazer e convívio para os cidadãos. O local é frequentemente utilizado por famílias, estudantes e turistas para actividades de lazer, como piqueniques, passeios e fotografias. Além disso, o parque é um dos poucos espaços verdes urbanos da cidade, o que o torna importante tanto para a qualidade de vida dos habitantes quanto para a preservação do meio ambiente urbano.
No entanto, nos últimos tempos, o parque tem enfrentado desafios relacionados à falta de manutenção e degradação das suas infraestruturas, o que tem afetado a sua atractividade. Muitas áreas do parque estão em mau estado, com falta de limpeza, bancos danificados e relvados deteriorados.
Segundo os fotógrafos entrevistados pelo Rigor, a degradação tem impactado negativamente não só a experiência dos visitantes, mas também os profissionais de fotografia que usam o local como um ponto de trabalho. Muitos fotógrafos têm reclamado da perda de clientes devido à imagem degradada do parque, e apelam às autoridades para serem feitas melhorias para revitalizar o espaço e restaurar o seu papel como um centro de lazer e trabalho para a comunidade.
Jackson António, fotógrafo há dois anos, expressa a sua preocupação com a situação do Parque Popular, que está deteriorado e a afastar clientes. Segundo ele, a imagem destruída do local tem afectado directamente a sua actividade, que está em declínio. “Estamos aqui porque é o nosso ganha-pão diário, mas a condição do parque não ajuda em nada”, afirma. Ele destaca que o Jardim Parque Popular, um ponto de referência para os fotógrafos, deveria ser preservado como uma área agradável e funcional.
Emi Gilberto Mário, outro fotógrafo, partilha a insatisfação com a situação actual do jardim Parque Popular, que antes era rentável. Ele lembra que antigamente a actividade era lucrativa, com muitos clientes chegando no fim-de-semana para tirar fotos. No entanto, a degradação do local e a falta de relvado afastaram as pessoas, que agora preferem fotografar em hotéis e restaurantes. Apesar das dificuldades financeiras, Emi mantém-se na profissão por amor à fotografia e pela esperança de melhoria.
“Antigamente as pessoas nem esperavam por festividades para tirar fotos aqui, num simples fim-de-semana nós sabíamos que iríamos fazer um bom dinheiro, mas agora as pessoas estão mais nos hotéis e restaurantes que no parque.”
Dino Assane Omar, também fotógrafo, há três anos, conta que, para atrair mais pessoas, ele e outros fotógrafos têm usado fundos móveis, uma espécie de estúdio portátil, para melhorar a experiência fotográfica. “Trazemos fundos móveis, uma espécie de estúdio móvel, para as pessoas terem vontade de fazer fotografias, porque as pessoas dizem que já estão cansadas desse ambiente degradado”, afirma Dino.
Dino apela para as autoridades renovarem o parque, a qual é o único espaço público de lazer da cidade, e incluam os fotógrafos no processo de revitalização. Ele acredita que, ao renovar o parque, as autoridades possam investir no local, permitindo que os fotógrafos continuem a trabalhar nele e contribuam para a sua revitalização.
A crise na actividade também afecta os fotógrafos iniciantes, como Idelson, que trabalha há apenas três meses na área e já sente os desafios da falta de clientela.
“O meu primeiro dia de trabalho foi muito especial, vim para cá e os clientes gostaram das fotos. Mas depois comecei a enfrentar vários desafios, como a falta de dinheiro, os clientes já não vêm constantemente para cá, e isso me deixa entristecido. É normal eu vir para cá e ficar um dia inteiro sem ver nenhum cliente para fazer fotos.”
Já, Momade José, fotógrafo há quatro anos, acredita que a reabilitação do Jardim Parque Popular é a chave para restaurar a atractividade do local. Ele lembra que, no início da sua carreira, o parque estava em boas condições e atraía muitos clientes, mas agora, devido à degradação, perdeu o seu apelo. “O que se pode fazer é melhorar o parque, porque eu acho que o que se tem por organizar não levaria muito tempo nem gastaria muito dinheiro”, afirma.
Apesar de seu amor pela fotografia, Momade revela que a falta de clientes tem afectado a sua renda, e ele se vê obrigado a realizar outros trabalhos, como estofaria, para se sustentar. A situação difícil levou muitos fotógrafos a procurar actividades alternativas enquanto aguardam uma possível recuperação do parque.
Mesmo diante das dificuldades, Momade e outros fotógrafos continuam a trabalhar com esperança de que o parque seja revitalizado, permitindo que voltem a fazer da fotografia uma actividade lucrativa e um ponto de referência na cidade. Daniel Caetano
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