ECONOMIA
Angoche regista aumento de jovens no sector informal
No distrito de Angoche, a luta pela sobrevivência tem levado centenas de jovens a recorrerem ao sector informal como principal meio de subsistência. As actividades vão desde o moto-táxi, venda ambulante e serviços de carteira móvel, até à pesca, agricultura, corte e costura, entre outras iniciativas que exigem esforço diário e garantem o sustento de muitas famílias.
Jovens ouvidos pelo Rigor afirmam que a inserção no sector informal resulta, sobretudo, da escassez de oportunidades de emprego formal, aliada às limitações no acesso à formação profissional e a mecanismos de financiamento.
Inocêncio Manuel, jovem agente de serviços móveis, conta que a falta de emprego o obrigou a abraçar o sector informal, embora reconheça as dificuldades. “Sabemos que, aqui em Moçambique, um jovem que não tem pais com dinheiro para ajudar dificilmente consegue formação ou emprego. Por isso, acabamos por abraçar estas oportunidades, como trabalhar como agente da E-Mola”, explicou.
Segundo Inocêncio, a instabilidade do rendimento é um dos principais desafios. “Trabalhamos por conta própria e somos rigorosos porque este é o único sustento que temos. Acho que deveria existir um programa para apoiar jovens com ideias inovadoras. Outro grande problema é a falta de clientes, que está cada vez maior”, lamentou.
Situação semelhante é vivida por Mestre Mito, alfaiate há 13 anos, casado e pai de três filhos, que afirma depender exclusivamente da procura pelos seus serviços. “O meu trabalho depende dos clientes. No dia em que eles não aparecem, fico sem sustento. Às vezes, quando a máquina avaria, tenho de fazer esforço para conseguir dinheiro para a reparar, o que pode levar duas ou três semanas”, contou.
Um estudo recente da Organização do Meio Rural em Moçambique confirma o aumento significativo do número de jovens inseridos no sector informal. A pesquisa indica que parte das dificuldades enfrentadas em Angoche resulta do encerramento de antigas fábricas que, no passado, absorviam grande parte da mão-de-obra local.
“Nas entrevistas que realizámos, tanto em Nampula como em Angoche, os jovens reclamam da falta de emprego e de fome, porque as actividades que desenvolvem não garantem uma renda equilibrada nem compatível com o custo de vida”, explicou a investigadora Rita Chiure.
A investigadora acrescentou ainda que o estudo identificou denúncias de corrupção no acesso ao emprego formal, o que afasta ainda mais os jovens dessas oportunidades. “Sempre que procuramos compreender o aumento do número de jovens na pesca ou noutras actividades informais, a principal razão apontada é a falta de vagas no sector formal. Nos poucos lugares onde há emprego, surgem exigências de pagamento de subornos”, denunciou.
Perante este cenário, o presidente do Conselho Distrital da Juventude de Angoche, Daúda Rufino, assegura que estão a ser desenvolvidas iniciativas para incentivar os jovens a procurar alternativas de geração de rendimento. “Como Conselho Distrital da Juventude, temos planificado palestras de consciencialização para encorajar os jovens a serem proactivos na busca de oportunidades e de meios para o seu auto-sustento”, afirmou. Moniro Abdala
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