ECONOMIA
Vendedores condicionam saída das ruas à criação de mercados dignos no centro da cidade
Em Nampula, os vendedores informais que ocupam as principais ruas do centro urbano avisam que não abandonarão os passeios e espaços públicos enquanto não forem criadas condições mínimas e atrativas nos mercados indicados pela autarquia. A posição é clara: sem alternativas dignas, ninguém sairá das ruas, independentemente das ameaças ou meios utilizados.
A equipa de reportagem do Jornal Rigor percorreu alguns dos pontos mais críticos da cidade, como a Avenida Samuel Khamkhomba, a Avenida do Trabalho (zona dos CFM) e a Rua dos Bombeiros, onde centenas de comerciantes mantêm as suas actividades à vista da fiscalização municipal. Embora reconheçam a necessidade de organização urbana, exigem que a solução passe por mercados funcionais, com condições de higiene, segurança e localização central.
“Não negamos sair daqui, ninguém se recusa. Ele (o presidente) é o nosso pai, pai do povo, quer o nosso bem. Mas pedimos que construa um mercado para nós aqui na cidade. Não queremos ir para longe”, afirmou Amisse Lourdino, vendedor há vários anos na Rua dos Bombeiros.
A proposta do município de relocalizar os comerciantes para mercados como o Waresta ou Mphavara, ambos em zonas periféricas, é amplamente rejeitada. Para muitos, esses locais não oferecem viabilidade comercial nem poder de compra adequado ao tipo de produtos vendidos.
“Como é que vamos vender um produto de 500 meticais lá? Eles não compram a esse preço. Aqui ainda conseguimos vender a 250, mas lá já há muita concorrência e os clientes não têm dinheiro”, afirmou Edson Alfredo, vendedor de roupas.
Além das preocupações económicas, muitos dos vendedores enfrentam situações de vulnerabilidade social agravadas, como a perda das suas casas e a falta de condições de sobrevivência, o que intensifica o receio de serem expulsos sem alternativa.
“As nossas casas caíram e não temos materiais para reconstruir. Estamos aqui para vender e tentar sobreviver. Mesmo assim, o município vem nos expulsar. Se nos manifestarmos, pode haver destruição, porque não temos nada a perder”, alertou Felisberto Amade, vendedor de produtos alimentares na Avenida do Trabalho.
Para Ana Manuel, que vende comida na Avenida Samuel Khamkhomba há vários anos, a ameaça de expulsão representa um golpe contra a sobrevivência da sua família.
“Já estou aqui há muitos anos. É aqui que sustento meus filhos. Se nos tirarem sem fazer um mercado perto, onde é que vamos trabalhar?”, questiona.
Os vendedores deixam claro que não são contra a reestruturação urbana, mas exigem diálogo, inclusão e condições reais para exercerem a sua actividade com dignidade. Caso contrário, alertam que nenhuma força será suficiente para os remover das ruas. Vânia Jacinto
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José Luzia
Maio 15, 2025 at 1:09 pm
Que triunfe o bom senso de todos os lados: vendedores pobres, município e compradores.