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SOCIEDADE

Um ano sem Arlindo Chissale: Município de Nacala abandona família e tenta expulsar funcionário desaparecido

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Cumpre-se hoje, 7 de Janeiro, um ano desde o desaparecimento do jornalista e activista Arlindo Chissale, funcionário do Estado afecto ao Município de Nacala, sem que a instituição tenha prestado qualquer tipo de apoio à sua família — uma postura que os familiares classificam como abandono deliberado e grave omissão institucional.

Apesar de Arlindo Chissale integrar os quadros do Município de Nacala, a viúva e os filhos nunca beneficiaram de subsídios, assistência social, apoio psicológico ou qualquer outro mecanismo de protecção previsto para funcionários e agentes do Estado em situações de desaparecimento ou morte em serviço. Segundo a família, esta atitude contrasta com o tratamento concedido a outros casos semelhantes no aparelho do Estado.

Ao procurar esclarecimentos junto da edilidade, os familiares dizem ter recebido uma resposta que consideram chocante. Macário Chissale, irmão do jornalista, relata que o município informou estar a aguardar apenas o reaparecimento de Arlindo Chissale para formalizar um processo administrativo de expulsão, em vez de accionar mecanismos de solidariedade institucional. “É uma postura desumana, burocrática e completamente insensível ao contexto em que o meu irmão desapareceu. Nós já deixámos tudo nas mãos de Deus”, afirmou.

A ausência de qualquer iniciativa por parte do Município de Nacala prolonga-se há doze meses. Durante este período, nenhum responsável municipal visitou, ouviu ou prestou assistência à família, aprofundando o sentimento de abandono e revolta. “O Estado esqueceu-se dele e esqueceu-se dos filhos”, desabafa um familiar próximo.

Reacção ao apoio anunciado pelo ANAMOLA

Entretanto, no início da noite de terça-feira, durante um encontro provincial do partido ANAMOLA, o seu presidente, Venâncio Mondlane, anunciou a atribuição de um apoio financeiro mensal de 10 mil meticais à família de Arlindo Chissale.

A família afirma, contudo, que teve conhecimento da decisão apenas através da imprensa, não tendo sido formalmente contactada até ao momento, aguardando que o anúncio se traduza em apoio efectivo. Embora reconheça o gesto como um sinal de solidariedade política, Macário Chissale sublinha que o apoio partidário não substitui a responsabilidade legal e moral do Estado, sobretudo da instituição onde o jornalista trabalhava e à qual descontou enquanto funcionário público.

Arlindo Chissale desapareceu no fim da tarde de 7 de Janeiro de 2025, quando se deslocava da província de Cabo Delgado para Nacala, tendo sido raptado por homens armados na zona de Silva Macua. Um ano depois, o caso permanece sem esclarecimentos oficiais, sem responsabilização e sem amparo institucional à família, expondo fragilidades profundas na protecção dos servidores públicos e na resposta do Estado a casos de desaparecimento forçado.

Até ao fecho deste material, o Jornal Rigor tentou, sem sucesso, obter o posicionamento do Conselho Municipal de Nacala. Todas as tentativas de contacto telefónico com o edil revelaram-se infrutíferas. O Rigor mantém, contudo, o interesse em ouvir a versão da edilidade sobre o assunto. Faizal Raimo

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