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SOCIEDADE

Tunzine defende educação sexual nos currículos escolares para combater exclusão e gravidez precoce

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NAMPULA, 7 de Maio de 2025 O Director Provincial de Educação de Nampula, Wiliamo Simão Tunzine, defendeu esta quarta-feira (7) a integração plena da educação em sexualidade abrangente nos planos curriculares das escolas secundárias, como estratégia essencial para responder aos desafios sociais que afectam adolescentes e jovens, incluindo gravidez precoce, uniões prematuras e abandono escolar.

A intervenção teve lugar durante a abertura oficial da segunda fase da formação promovida pela UNESCO, que junta na cidade de Nampula, directores adjuntos pedagógicos de escolas secundarias, pontos focais de género e delegados de disciplina, com o objectivo de reforçar a capacidade técnica dos actores escolares na abordagem de temas sensíveis ligados à saúde sexual e reprodutiva.

“Estamos aqui reunidos para tratar de um tema sensível, mas de capital importância. A educação sexual continua a ser um desafio social urgente, e é nas escolas que devemos começar a promover mudanças. Os professores são actores-chave neste processo de transformação”, afirmou Tunzine.

Segundo o dirigente, a ausência de métodos pedagógicos adequados tem dificultado o trabalho dos professores neste campo. Por isso, a presente formação — com duração de quatro dias — visa fornecer ferramentas práticas que permitam aos educadores orientar os seus alunos com confiança, responsabilidade e sensibilidade.

“O objectivo é que esta formação não fique apenas neste espaço. Os conhecimentos adquiridos devem ser levados às escolas e replicados, com supervisão dos directores pedagógicos e envolvimento de toda a comunidade educativa”, acrescentou.

Tunzine apelou ainda ao comprometimento dos participantes, encorajando-os a usar a formação como base para um trabalho contínuo em prol do bem-estar dos estudantes. “Esta é uma oportunidade para esclarecer dúvidas, partilhar experiências e alinhar estratégias.”

A formação enquadra-se nos esforços conjuntos do Governo moçambicano e da UNESCO para garantir o acesso de adolescentes e jovens a informação fiável e de qualidade sobre saúde sexual e reprodutiva, contribuindo para a redução de práticas nocivas e para a construção de ambientes escolares seguros, inclusivos e promotores de direitos.

Na mesma cerimónia, Sheila Matavel, representante da UNESCO, destacou que esta nova etapa do projecto surge como uma evolução estratégica da primeira fase, realizada há cerca de dois anos, que formou aproximadamente 400 professores em quatro distritos.

“Aprendemos com as falhas da primeira fase. Percebemos que era fundamental envolver também os delegados de disciplina, os directores pedagógicos, os técnicos da Direcção Provincial de Educação e até representantes da universidade”, explicou.

Este grupo alargado participou em duas formações preparatórias em Maputo, nos meses de Fevereiro e Março, onde foram partilhadas as principais mudanças e expectativas para esta nova fase. O objectivo agora, segundo Matavel, vai além da simples formação técnica.

“Pretendemos que os professores se tornem agentes de transformação, capazes de levar mensagens impactantes para os alunos e comunidades. Todos aqui são professores, mas também são pais. A mensagem que trazemos não deve ficar apenas nas escolas; deve ser levada para casa, para a comunidade”, reforçou.

Embora o plano inicial previsse formar 400 professores ao longo do ano, a adesão superou as expectativas. Só nesta fase de arranque, já estão a ser capacitados 200 profissionais — 139 em Nampula e 43 em Nacala — que constituem a primeira leva da segunda fase. As próximas formações estão previstas para Agosto, nos distritos de Ia, Meconta e Murrupula.

A capacitação inclui também a introdução de conteúdos transversais nos planos de aula, com foco especial nas necessidades dos alunos mais vulneráveis. Para apoiar esse processo, a UNESCO está a enviar manuais do programa de Educação Sexual Abrangente (ESA), bem como panfletos informativos que devem chegar às escolas nas próximas semanas.

“Estamos a fazer o que é possível com os meios disponíveis. Esta iniciativa não resolve todos os problemas, mas é um princípio. Estamos a começar com firmeza”, concluiu Sheila Matavel.

A Educação Sexual Abrangente (ESA) é um processo educativo que visa dotar crianças e jovens de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para lidar com a sexualidade de forma positiva, segura e saudável. Faizal Raimo

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