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Terror em Murrapaniua: moradores pedem socorro após série de assaltos violentos

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Os moradores do bairro Murrapaniua, na cidade de Nampula, vivem dias de crescente insegurança, provocada por uma vaga de assaltos cada vez mais ousados e violentos. As comunidades clamam urgentemente pela presença da Polícia da República de Moçambique (PRM), temendo pela vida e pelo pouco património que lhes resta.

O único posto policial que funcionava no bairro foi encerrado após ter sido destruído pelos próprios moradores durante protestos eleitorais violentos, fortemente reprimidos pela polícia. A destruição foi uma retaliação à alegada má actuação das forças da ordem durante as manifestações. Agora, a população reconhece a falta que faz a presença da polícia.

Segundo testemunhos recolhidos no terreno, os malfeitores já não se limitam a actuar nas ruas escuras.

“Eles invadem casas durante a madrugada, arrombam portas, partem janelas e até paredes para entrarem”, contou o senhor Denis Cabral Domingos, de 41 anos, vítima do mais recente ataque.

“Na madrugada da última segunda-feira, dia 9 de Junho, por volta das 2 horas, os bandidos partiram o muro de vedação, cercaram várias casas, e um grupo invadiu a minha mercearia furando a parede. Começaram a vandalizar e roubar tudo o que podiam”, relatou, ainda visivelmente abalado.

Os assaltantes levaram material diverso, incluindo quase todos os produtos comercializados na mercearia, a receita do dia anterior, um painel solar e o respectivo inversor, além de pertences da parte residencial da casa.

“Foi tudo muito rápido. É a quinta vez que sou atacado. No ano passado, também destruíram tudo. Agora não sei por onde começar de novo”, lamenta, com lágrimas nos olhos.

A esposa e os filhos do senhor Denis estão inconsoláveis. Pedem, com urgência, a construção de um posto policial fixo no bairro ou a presença de patrulhas nocturnas. Segundo os moradores, a insegurança é total.

A nossa equipa de reportagem também ouviu uma senhora que se identificou apenas como Rabia, residente da mesma zona, que descreveu a noite do ataque como de pânico total:

“A minha casa ficou cercada. Eles estavam em todo lado. Uns na estrada, outros dentro dos quintais. Nós só queremos segurança. Queremos um posto policial aqui no Colombo, porque o antigo foi destruído nas últimas manifestações”, disse.

A mesma exigência foi feita por Maria Age, também residente em Murrapaniua, que considera que a situação está fora de controlo:

“Todos os anos, o senhor Denis é assaltado. Isso mostra que a zona está abandonada. Sem polícia, estamos entregues aos criminosos.”

O secretário do bairro, António Calavete, confirmou os relatos e fez um apelo à PRM para reforçar a segurança na zona:

“A criminalidade está a crescer. Os malfeitores adaptam métodos mais ousados. Já não se limitam às ruas — entram nas casas enquanto as famílias dormem. Estamos a viver com medo. Precisamos de patrulhamento nocturno com urgência.” Redacção

 

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