SOCIEDADE
Sismo voltou: silêncio sobre paradeiro e confirma apoio directo do governador Eduardo Abdula
O defensor dos direitos humanos Sismo Eduardo confirmou, na noite desta segunda-feira, à sua chegada ao Aeroporto de Nampula, que a sua deslocação de regresso à província foi custeado pelo Governodor de Nampula, Eduardo Abdula.
A confirmação foi feita em declarações à imprensa, no momento em que regressou à cidade, após cerca de 20 dias afastado do convívio familiar, período em que abandonou Nampula alegando ameaças à sua vida.
“Em relação à minha segurança, alguns contactos foram efectuados. Mesmo para a minha vinda, para o meu regresso, a passagem não foi custeada por mim, nem pela minha família, nem pelas organizações da sociedade civil. Foi o Governo da província de Nampula que custeou. Houve garantias que foram feitas, mas que eu não posso precisar neste momento, a não ser que as entidades que garantiram se pronunciem primeiro”, afirmou Sismo Eduardo.
Na mesma ocasião, o activista esclareceu que nunca esteve fora do território moçambicano, sublinhando que a sua saída de Nampula ocorreu dentro do país, motivada por uma situação concreta de risco de vida.
“Eu não fui escorraçado do meu país, porque estive dentro do meu país. Não fugi porque não sou ladrão, não sou fugitivo e não devo a ninguém. Apenas exijo que o direito do cidadão moçambicano seja respeitado, que a vida seja respeitada e que os deveres violados sejam restabelecidos pelos violadores”, declarou.
Sismo Eduardo descreveu ainda um ambiente de forte pressão e receio iminente, que o obrigou a abandonar a cidade de forma repentina e sem aviso prévio à família.
“Houve uma pressão muito forte, ligada a um atentado à minha vida. Recebi vários alertas, senti a minha casa cercada, notei movimentos estranhos e, por isso, tive de sair de forma repentina, sem sequer me despedir da minha família. Saí do nada, porque a minha saúde e a minha vida já estavam em perigo”, relatou.
Apesar das ameaças, o defensor garantiu que vai continuar a sua intervenção social e o trabalho de denúncia pública, assegurando que não pretende recuar na defesa dos direitos humanos.
“Os riscos existem e sempre existirão quando se luta contra a injustiça, mas isso não pode ser motivo para calar quem exige o respeito pela lei, pela vida e pelos direitos do cidadão moçambicano”, frisou.
Também em declarações à imprensa, Gamito dos Santos, director Executivo da KÓXUKHURU, uma das organizações que acompanhou o caso durante o desaparecimento do activista, explicou que o regresso de Sismo Eduardo resultou de um processo de contactos envolvendo várias entidades nacionais e internacionais.
“Mantivemos contactos com embaixadas, com as Nações Unidas e com outras organizações, mas a verdade é que a entidade à qual devemos a segurança é o Estado moçambicano. Em Nampula, o Estado está representado pelo secretário de Estado e pelo governador da província. Houve encontros e, nesta senda, o Governo de Nampula assumiu que iria garantir a segurança do Sismo Eduardo na sua plenitude”, afirmou.
Segundo Gamito dos Santos, o facto de a passagem ter sido custeada pelo Governo provincial constitui um sinal concreto de segurança e confiança no regresso do defensor à província.
“É a primeira vez que vemos um defensor de direitos humanos regressar com a passagem paga pelo Governo. Isso mostra que há um caminho de entendimento, não para silenciar ninguém, mas para garantir que defensores e jornalistas exerçam o seu trabalho com segurança”, concluiu. Vânia Jacinto
-
SOCIEDADE4 meses atrásUniRovuma abre inscrições para exames de admissão 2026
-
CULTURA1 ano atrásVictor Maquina faz sua estreia literária com “metamorfoses da terra”
-
SOCIEDADE2 anos atrásIsaura Nyusi é laureada por sua incansável ajuda aos mais necessitados e recebe título de Doutora
-
DESPORTO1 ano atrásReviravolta no Campeonato Provincial de Futebol: Omhipithi FC é promovido ao segundo lugar após nova avaliação
-
OPINIÃO2 anos atrásO homem que só gostava de impala
-
ECONOMIA8 meses atrásGoverno elimina exclusividade na exportação de feijão bóer e impõe comercialização rural exclusiva para moçambicanos
-
POLÍTICA9 meses atrásGoverno de Nampula com nova cara: nove novos administradores e várias movimentações
-
OPINIÃO2 anos atrásDo viés Partidocrático à Democracia (Participativa)
