ECONOMIA
Sequestram delegado distrital da ANAMOLA em Mogovolas
Após o sequestro, o dirigente foi transportado coercivamente de Mogovolas para a cidade de Nampula, onde permanece detido no Comando Provincial da PRM.
O delegado distrital da ANAMOLA em Mogovolas foi sequestrado na madrugada deste sábado (20), no distrito de Mogovolas, província de Nampula, num acto denunciado como ilegal e violento.
O episódio ocorreu menos de 24 horas depois de o distrito ter sido palco de uma reivindicação popular, na qual o referido delegado esteve envolvido. Na sequência dessa acção, o Tribunal Distrital de Mogovolas emitiu mandados de soltura relativos a réus que se encontravam em prisão preventiva há cerca de dois meses na cadeia local.
De acordo com fontes do Rigor, os protestos junto ao tribunal foram marcados por momentos de tensão, incluindo constrangimentos ao normal funcionamento da instituição. As mesmas fontes indicam que, após a emissão dos mandados, os documentos foram apresentados na cadeia distrital, permitindo a libertação dos réus.
Em declarações ao Rigor, o delegado provincial da ANAMOLA em Nampula, Castro Niquina, acusou directamente o comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Sérgio Faustino, de envolvimento no alegado sequestro.
Segundo Niquina, o delegado foi retirado à força da sua residência por volta das zero horas, numa operação que terá envolvido agressões físicas à vítima e aos seus familiares.
“O delegado foi sequestrado de madrugada, dentro da sua própria casa. A polícia entrou, espancou os familiares e espancou também o próprio delegado, deixando-o completamente debilitado. Tudo isto foi feito fora de qualquer via legal”, denunciou.
De acordo com a ANAMOLA, após as agressões, a vítima foi transportada coercivamente para a cidade de Nampula, num veículo alegadamente pertencente ao comandante provincial da PRM.
“Isto demonstra que não se trata de um simples excesso policial, mas de um processo comandado ao mais alto nível”, afirmou.
O partido sustenta que o sequestro tem motivações políticas, surgindo na sequência de uma marcha realizada três dias antes, em protesto contra detenções consideradas arbitrárias.
“Foi uma mobilização forte e inesperada. A partir daí começou-se a procurar uma forma de silenciar o delegado”, explicou Niquina.
Castro Niquina acrescentou que, antes do sequestro, o delegado havia sido intimado pelo tribunal local para prestar declarações como denunciante num caso envolvendo jovens alegadamente detidos ilegalmente.
“Em vez de ser ouvido como denunciante, o juiz transformou-o automaticamente em arguido e obrigou-o a pagar três salários mínimos, sem qualquer fundamentação legal”, acusou.
Após o desaparecimento, dirigentes da ANAMOLA deslocaram-se ao comando provincial da PRM e ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) para obter informações, mas, segundo o partido, as autoridades negaram inicialmente a detenção.
“Só depois conseguimos falar com a vítima, que confirmou estar detida no comando provincial”, disse.
A ANAMOLA manifesta preocupação com o estado de saúde do delegado, descrito como hipertenso e mantido em condições consideradas desumanas.
“Desde a madrugada estava sem roupa, sem água e sem alimentação. A polícia recusou-se a prestar informações clínicas”, denunciou.
O partido responsabiliza o comando provincial da PRM pela integridade física e pela vida do delegado sequestrado e admite recorrer às instâncias judiciais nacionais.
“Não vamos deixar este caso impune”, advertiu Castro Niquina. Vânia Jacinto
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