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POLÍTICA

Ruben Ulaia aponta a falta de ideologia como a raiz da fragilidade partidária em Moçambique

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O docente universitário, Ruben Ulaia, afirma que os partidos políticos em Moçambique enfrentam uma fragilidade estrutural, resultado da ausência de uma base ideológica firme.
De acordo com Ulaia, que possui formação em Ciência Política, Governação e Relações Internacionais, essas vulnerabilidades influenciam, na essência, as escolhas complicadas que os partidos, especialmente os da oposição, precisam fazer em períodos de eleições.
O professor afirmou que, embora esses partidos estejam ameaçando não assumir seus postos, os representantes eleitos acabam abandonando a disputa. Em sua opinião, essa mudança de postura está intimamente relacionada à ausência de uma ideologia clara e à precariedade estrutural das agremiações, além de estarem ligadas aos interesses financeiros dos próprios membros dos partidos.
“Não me limito apenas ao MDM e à RENAMO; outros partidos oposicionistas necessitam igualmente de uma base ideológica firme e de estruturas internas que promovam a união. A carência desses recursos ideológicos, assim como da coesão interna, resultará em estratégias pouco claras e inconsistentes. Isso implica que a falta de uma clara identidade partidária torna mais complexa a elaboração de acções harmónicas, o que pode levar a decisões que aparentam ser contraditórias ou oportunistas por parte dos partidos políticos”.
Ao analisar o recente retrocesso da RENAMO e do MDM e sua escolha de não assumir os mandatos na Assembleia da República, devido à percepção de fraude nas eleições do ano passado, Ruben Ulaia aponta que, em certa medida, essa postura pode ser explicada pelos interesses pessoais dos políticos, que procuram a obtenção de cargos nos órgãos. “No nosso contexto, a política é vista como uma ferramenta para alcançar melhorias sociais e económicas. A competição por assentos no parlamento se intensifica, e mesmo diante de ameaças de boicote, às vantagens materiais ligadas aos cargos fazem com que essas formações políticas reavaliem as suas posturas iniciais”.
Esse comportamento, segundo o pesquisador, indica que os membros da oposição tendem a priorizar interesses pessoais em detrimento das suas convicções ideológicas. Ruben Ulaia observa que a mesma questão se manifesta quando as promessas feitas aos eleitores durante as campanhas não são cumpridas, o que, de acordo com ele, evidencia a fragilidade dos partidos políticos em Moçambique. “A divergência entre o que é dito e o que é feito prejudica a renovação dos partidos políticos nas instituições em que foram eleitos, resultando na desconfiança do eleitorado em relação a esses partidos”.
Ruben Ulaia aponta que essa falta de consistência dos políticos é a razão pela qual a RENAMO e o MDM, que anteriormente ocupavam a segunda e terceira posição no cenário político nacional, foram rebaixados pelo povo ao terceiro e quarto lugares, respectivamente, entre os principais partidos em Moçambique do país.
“Para fortalecer a Democracia em Moçambique, é essencial que os partidos da oposição fortaleçam a sua unidade interna e adoptem narrativas coerentes que estejam alinhadas com as suas acções”, conclui Ruben Ulaia. Vânia Jacinto

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