ECONOMIA
Retirada dos EUA da ONU pode afectar Moçambique conforme a dependência financeira, diz analista
O analista em Relações Internacionais e docente da Universidade Lúrio, Victorino Júlio Chadreque, considera que o impacto da retirada dos Estados Unidos de cerca de 60 organizações das Nações Unidas em Moçambique dependerá do grau de envolvimento do país nessas instituições e do nível de dependência do financiamento norte-americano.
Segundo o analista, a avaliação deve partir da participação efectiva de Moçambique nas organizações abrangidas pela decisão, uma vez que a pertença , ou não, a essas entidades é determinante para a existência de implicações concretas.
“A questão central é saber se Moçambique integra essas organizações internacionais. Se fizer parte, é evidente que haverá implicações”, explicou.
Relativamente às agências directamente ligadas ao sistema das Nações Unidas, Chadreque sublinha que Moçambique, enquanto Estado-membro da ONU, não está imune aos efeitos de uma eventual retirada ou redução do envolvimento norte-americano, à semelhança do que já ocorreu no passado.
“Os Estados Unidos são membros fundadores da ONU e o seu maior contribuinte financeiro. A sustentabilidade da organização depende, em grande medida, desses recursos. Sendo Moçambique membro, essas decisões acabam por ter impacto, como já aconteceu quando os EUA se desvincularam da OMS e da USAID”, referiu.
No plano económico, o analista alerta que Moçambique poderá enfrentar maiores dificuldades caso seja chamado a assumir maiores contribuições financeiras, num contexto interno ainda marcado por fragilidades estruturais.
“O país enfrenta problemas económicos sérios, agravados pela crise das dívidas ocultas, da qual ainda não conseguiu recuperar. Exigir mais quotas neste cenário representa um grande desafio”, sublinhou.
Chadreque destacou igualmente o papel determinante de agências como o PNUD e a UNICEF, alertando que uma eventual redução do financiamento norte-americano pode comprometer o funcionamento normal dessas instituições.
“A UNICEF, por exemplo, tem sido fundamental na resposta a desastres naturais e à situação de terrorismo em Cabo Delgado. A ausência dos Estados Unidos pode criar dificuldades sérias na gestão e operacionalização dessas agências”, afirmou.
Face ao actual contexto internacional, o analista defende que Moçambique deve adoptar uma postura mais cautelosa e estratégica, baseada na racionalização dos recursos internos e na definição clara de prioridades nacionais.
“É preciso tomar decisões rigorosas, gastar melhor os recursos disponíveis e priorizar áreas vitais como educação, saúde e defesa. Não podemos continuar a consumir mais do que aquilo que efectivamente possuímos”, defendeu.
Para Chadreque, a conjuntura internacional exige maior responsabilidade dos Estados, com vista à redução da dependência excessiva da ajuda externa e ao reforço da soberania nacional.
“A educação e a saúde não podem ser delegadas, porque são questões de soberania. Tudo passa por uma melhor gestão dos nossos recursos e pela garantia do funcionamento das áreas básicas do Estado”, concluiu. Vânia Jacinto
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Salé Gabriel Beninho
Janeiro 9, 2026 at 7:28 pm
Existem duas perspectivas de analise para Moçambique com a retirada dos EUA da ONU, primeira perspectiva de analise é exógena, sobre tudo devemos aprender a si posicionar geopoliticamente eficientes em nosso beneficio. Uma vez que as potencias mundiais então em conflitos na disputa dos recursos minerais e energéticos, o país deve refletir que essas organizações não nos representam na sua totalidade visto que a historia prova que eles não interessadas em garantir cooperações para o bem coletivo ou em manter o multilateralismo de maneira justa, pelo que vejo parece não haver legitimidade das mesmas. Portanto, entendo que a ONU esta em Moçambique deste 1985 com sua filosofia de ajuda ao pais no desenvolvimento mas já passam 40 anos a operar no pais na implantação de supostamente políticas financeiras para a recuperação econômica e social mas nunca saímos da pobreza, a ONU não passa de uma organização desunida. o Segundo fator ou perspectiva, seria, enquanto Gestor de Políticas Públicas que sou, vejo que o país deve começar a reformular sua política de estado e não política de governo para enfrentar as crises da decadência do capitalismo selvagem ou capitalismo rentista globalizado, porque o capitalismo financeiro virou um capitalismo improdutivo que não produção riqueza real as sociedades, apesar do país ter vastos recursos minerais, falta técnica e financiamento interno para poder garantir o desenvolvimento socioeconômico das famílias, para tal devemos apostar na economia circular e olhar um pouco na transferência tecnologias do sul global para Moçambique estabelecendo negociações equilibradas sendo vantajosas para ambas as partes, digo isso porque vejo exemplos mal parados de gestão de políticas publicas falhadas que não surtiu efeito desejado devido a ineficiência de estudos e capacidade científica interna para garantir o desenvolvimento na sua plenitude. Olha devemos deixar de ser dependentes dessas organizações e pensarmos em garantir cooperações entre africanos e para africanos. As organizações mundiais podem ser na sua maioria essas organizações espiãs elas são lobos vestidas de peles de ovelhas.