POLÍTICA
“Queremos transformar Nacala numa cidade acolhedora, capaz de atrair investimentos e gerar oportunidades”, Faruk Nuro
Nacala celebra nesta terça-feira (16) 54 anos da sua elevação à categoria de cidade, numa efeméride que coincide com um ano e sete meses desde a tomada de posse dos órgãos autárquicos liderados por Faruk Nuro, em Fevereiro de 2024. Em pouco tempo, a autarquia saiu das dívidas e passou a pagar salários, cumprir compromissos e devolver confiança à população. O Rigor, o edil destaca ganhos já visíveis: furos de água, novas estradas e escolas, combate à erosão, receitas locais em crescimento e um sistema inovador de recolha de lixo porta a porta. O objectivo, garante, é fazer de Nacala uma cidade organizada, acolhedora e capaz de atrair investimentos.
Nacala quer ser cidade acolhedora e competitiva
O Conselho Municipal traçou uma visão clara: transformar Nacala numa cidade moderna, acolhedora e aberta a investimentos nacionais e internacionais. O objectivo é aproveitar o potencial do porto e, ao mesmo tempo, diversificar para sectores como turismo, indústria, saúde e educação.
Para sustentar esse futuro, está em elaboração um Plano de Estrutura Urbana, que servirá de guia para os próximos anos. O documento vai mapear problemas, identificar oportunidades e apontar prioridades de investimento.
O edil defende que este plano será a base para a realização da primeira Conferência de Investimentos de Nacala, evento que pretende atrair capital e parceiros estratégicos. “O desenvolvimento tem de ter base. Nenhuma cidade cresce sem planeamento”, sublinha.
As celebrações do dia 16 de Setembro simbolizam essa identidade em construção. Além da tradicional corrida de motorizadas, haverá concertos musicais, corridas femininas e inclusivas, marcando a diversidade e o espírito comunitário que se quer para a cidade.
De dívidas e salários em atraso à estabilidade
Quando tomou posse, em Fevereiro de 2024, Faruk Nuro encontrou um município em colapso financeiro. Havia salários em atraso, fornecedores por pagar e dívidas acumuladas em vários sectores.
O início foi marcado por incertezas e reuniões constantes do executivo para definir estratégias de sobrevivência. “Não havia dinheiro. Perguntávamos como íamos avançar”, recorda o edil.
A solução passou pelo reforço da cobrança de receitas locais, disciplina orçamental e renegociação de prazos. Aos poucos, mais de 7 milhões de meticais em dívidas foram liquidados, incluindo salários atrasados de funcionários da Assembleia Municipal e de trabalhadores sazonais.
Hoje, a autarquia afirma-se estável e em condições de cumprir compromissos. “De um município endividado, passámos a uma autarquia que honra obrigações e devolve confiança à população”, resume Nuro.
Um ano e sete meses de marcos visíveis
O balanço inclui avanços concretos: abertura de 12 furos de água em bairros periféricos, expansão do abastecimento em coordenação com a Direcção Nacional de Águas e melhoria da mobilidade com o alargamento da Avenida Eduardo Mondlane.
As obras de reabilitação de estradas em bairros como Bloco 1 e Mercado Jaguar também fazem parte dos marcos, ainda que algumas tenham sido atrasadas pelo Fundo de Estradas.
No capítulo dos meios, a autarquia reforçou a frota com 11 viaturas e dois camiões de recolha de lixo, além de motoniveladoras que já melhoram estradas terciárias.
A nível social, o município distribuiu kits de emergência a famílias afectadas por ciclones, entregou carteiras escolares para centenas de crianças e lançou o programa de motorizadas para jovens, garantindo autoemprego.
Erosão: o grande desafio ambiental
A erosão é um dos maiores riscos urbanos de Nacala. Para enfrentá-la, a autarquia celebrou um acordo com a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), que financia um projecto de 20 milhões de dólares (1,3 mil milhões de meticais).
O plano prevê a construção de barreiras e uma vala de drenagem que desviará o curso para zonas seguras. “É um projecto estruturante que vai salvar a cidade baixa”, garante o edil.
Paralelamente, a autarquia já recupera ravinas com enchimento de resíduos sólidos e cobertura de solos vermelhos. Áreas antes intransitáveis, como Ribáuè e Anli Humo, já foram reabertas à circulação.
O combate à erosão é visto não apenas como obra ambiental, mas também como condição indispensável para atrair investidores.
Água: resposta a um clamor popular
Durante presidências abertas, a população clamou por água. A resposta chegou com a abertura de 12 novos furos em diferentes bairros, aliviando a escassez crónica.
As obras de expansão na Avenida Eduardo Mondlane também deverão aumentar a capacidade de abastecimento, após a conclusão da fase de testes.
O edil faz questão de frisar que estas iniciativas são financiadas com fundos próprios da autarquia, combinando receitas locais e fundos de estrada. “Não dependemos de doadores externos. Mostrámos que é possível trabalhar com o que temos”, reforça.
A meta é que, até ao fim do mandato, a escassez de água deixe de ser um problema estrutural em Nacala.
Receitas: o caminho da autonomia
A saúde financeira continua frágil, mas os avanços são visíveis. A arrecadação melhorou, embora enfrente quebras sazonais. Para aumentar a base tributária, será lançada uma campanha de licenciamento massivo de casas construídas sem documentação.
As principais fontes de receita são o IPRA (Imposto Predial Autárquico) e o TAI (Taxa de Actividade Económica). Este ano, a autarquia revisou o Código de Posturas, introduzindo critérios mais justos. “Um banco deve pagar como banco, uma barraca como barraca. Não podemos ser injustos”, explicou Nuro.
A liquidação de dívidas e o pagamento regular de salários reforçaram a credibilidade junto da população e fornecedores.
O desafio é consolidar essa tendência e tornar o município cada vez mais autónomo e sustentável, diz Faruk Nuro.
Lixo: fim dos contentores, recolha nas casas
A gestão do lixo está a sofrer uma mudança radical em Nacala-Porto. A autarquia aposta na recolha personalizada, com camiões compactadores que passam em horários definidos nos bairros, recolhendo lixo directamente nas casas.
O modelo substitui os contentores fixos, apontados como focos de insalubridade. Para garantir eficiência, já foram lançados concursos para aquisição de três novos camiões.
“O lixo não ficará mais nos contentores. Vamos recolher porta a porta. Cada cidadão deve conservar os resíduos em casa até ao momento certo”, disse o edil.
O projecto-piloto Tota lixo já testou a recolha com apitos de aviso e mostrou resultados encorajadores, reforçando a aposta neste conceito inovador.
Desafios ainda em aberto
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. O atraso no desembolso de fundos nacionais tem travado obras estruturantes, como estradas. A conjuntura económica nacional também limita a capacidade de resposta da autarquia.
As manifestações violentas de 2024 afectaram a arrecadação de receitas, mas o município procura recuperar através de sensibilização dos munícipes e campanhas de pagamento de taxas.
Outro obstáculo é a implementação plena do novo Código de Posturas, que exige mudança cultural e resistência inicial por parte dos contribuintes.
Ainda assim, o edil mantém-se optimista: “Nacala tem potencial para crescer. O mais importante é que a população já sente a diferença e isso dá-nos força para continuar.”
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