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ECONOMIA

População sufocada pela poeira trava camiões da CIM em Nacala-Porto

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Cansada de respirar poeira, viver entre buracos e sentir-se ignorada, a população do bairro Ribáuè, na cidade de Nacala-Porto, decidiu agir. Na última Terça-feira, 8 de Abril, moradores bloquearam a estrada que liga os bairros de Quissimajulo e Ribáuè — uma via essencial para a circulação de camiões da empresa Cimentos de Moçambique, que transportam matéria-prima até à fábrica local.

O protesto, marcado por barricadas e palavras de ordem, visava pressionar a empresa a reabilitar aquele troço, cuja degradação tem afectado gravemente a qualidade de vida na comunidade. “Passamos mal todos os dias. Esta estrada está num estado lastimável, cheia de buracos e poeira. Respiramos isso diariamente devido aos camiões”, afirmou Saide Luís, morador do bairro.

Os residentes relatam que a poeira invade as casas, põe em risco a saúde da população, e compromete a produção agrícola nas machambas locais. “As nossas verduras estão todas empoeiradas. Se a estrada não for reabilitada, vamos interromper novamente a circulação de camiões”, ameaçou um dos manifestantes.

Para além da exigência da reabilitação da estrada, a comunidade reclama também oportunidades de emprego para os jovens da zona. “Temos mestres, electricistas, pessoas com prática. Somos daqui, mas não temos acesso ao trabalho na fábrica. Isso tem de mudar”, disse um jovem em anonimato.

Contactado pelo Rigor, o director da Fábrica Cimentos de Moçambique, Paulo Gongole, afirmou que, embora não esteja autorizado a prestar declarações à imprensa, a empresa manteve, na véspera do protesto, um encontro com líderes comunitários de Ribáuè. No entanto, limitou-se a pedir calma à população e não apresentou nenhuma garantia concreta de intervenção.

“Temos 21 quilómetros de estrada por reabilitar. Aquele ponto ainda não tinha sido priorizado porque há zonas em condições piores. Não custava nada a população pedir… nós vamos fazer”, disse Gongole, sem avançar prazos ou compromissos.

A comunidade de Ribáuè, por sua vez, avisou que só suspendeu os protestos para dar espaço ao diálogo, mas promete retomar as acções se não houver resultados. “Queremos justiça. A estrada deve servir todos — não só os camiões — e não pode continuar a ser um risco para a nossa saúde. Basta de desprezo”, concluiu Isabel António, moradora do bairro.

Importa referir que este não é um episódio isolado. Há cerca de dois meses, a população de Quissimajulo recorreu ao mesmo tipo de acção para exigir a construção de mais salas de aula e a melhoria da mesma estrada, que se tornou o símbolo de um conflito cada vez mais tenso entre comunidades locais e a Cimentos de Moçambique. Nélia Cornélio

 

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