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ECONOMIA

“Pesquisar é um acto de responsabilidade social”, Prof. Doutor Nicaquela desafia investigadores da FCS-UniLúrio

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O director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Ilha de Moçambique, Prof. Doutor Wilson Nicaquela, defendeu, esta segunda-feira (17), que a investigação em Ciências de Saúde deve ser orientada por propósito, ética e compromisso humano, tornando-se um verdadeiro acto de responsabilidade social.

O académico foi orador das 16.ª Jornadas Científicas da Faculdade de Ciências de Saúde (FCS) da UniLúrio, onde apresentou o tema “Investigação em Ciências de Saúde na Era Digital: Para Quê e Para Quem Pesquisamos?”.

Nicaquela começou por contextualizar o mundo actual como “geograficamente disperso, mas cientifica e intelectualmente conectado”, sublinhando que nenhuma instituição dedicada à produção de conhecimento pode permitir-se ficar isolada dos avanços tecnológicos. A digitalização, afirmou, trouxe o mundo para dentro dos lares, dos bairros e dos locais de trabalho, mas nem sempre transformou dados em conhecimento útil.

Segundo o académico, o desafio central da investigação no país, e particularmente na região norte, está em compreender o real destinatário da pesquisa. “Os dados chegam às pessoas como mera informação. A nossa responsabilidade é transformá-los em conhecimento que resolva problemas concretos das comunidades”, referiu.

Ao longo da intervenção, Nicaquela defendeu que a pesquisa em saúde não pode ser encarada como exercício burocrático ou actividade isolada nas academias. Deve, pelo contrário, responder aos défices de conhecimento dos pacientes, das comunidades, dos profissionais de saúde e até dos gestores públicos. As tecnologias digitais, acrescentou, devem ser vistas como ferramentas que facilitam o acesso, a análise e a disseminação de dados recolhidos no terreno.

Citando uma frase atribuída a Mia Couto,“cozinhar não é trabalhar, é amar o outro”, o professor afirmou que a mesma lógica se aplica ao trabalho científico. “Pesquisar não é apenas uma actividade profissional. É um compromisso social das universidades para com as comunidades”, declarou, numa mensagem que gerou forte reflexão entre estudantes e docentes presentes.

Na parte final da apresentação, o académico deixou uma questão que resume o eixo moral do seu discurso: “Estamos a pesquisar para transformar vidas ou apenas para responder às exigências profissionais?” A pergunta, segundo ele, deve acompanhar cada investigação, sobretudo numa era em que a ciência, a tecnologia e a vida humana estão mais interligadas do que nunca.

Recorde-se que a 16.ª edição das Jornadas Científicas, que arrancou na manhã de hoje na Faculdade de Ciências de Saúde da UniLúrio, prolonga-se até ao próximo dia 19 e decorre sob o lema “Promovendo a Investigação em Ciências de Saúde na Era Digital para o Desenvolvimento das Comunidades”. Redacção 

 

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