ECONOMIA
PCA do INATRO em Nampula sob fogo de denúncias: corrupção, atrasos de exames e desordem mancham a instituição
O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional dos Transportes Terrestres (INATRO), Nelson Mário Monteiro Nunes, encontra-se desde esta quarta-feira (3) em Nampula, numa altura em que o delegado provincial da instituição é alvo de várias acusações de má gestão, corrupção e incapacidade de resposta às necessidades dos utentes.
Entre as denúncias levantadas por cidadãos, escolas de condução e funcionários do sector, destacam-se a desordem no processo de retirada de suspensões e inibições no sistema, que obriga infractores a permanecerem entre 15 e 30 dias sem conduzir, mesmo depois de cumprirem a pena e pagarem as multas correspondentes, com prejuízos evidentes nas suas actividades.
Outro ponto crítico é a acumulação de exames práticos, que tem gerado revolta entre instruendos e escolas de condução. Três estabelecimentos, Auto Mubay e ABC, em Nampula, e Gorfil, em Nacala-Porto, reportam atrasos de até 90 dias na marcação de provas, deixando dezenas de candidatos sem qualquer explicação.
As críticas incluem ainda atrasos graves na resposta a acidentes de viação. Num sinistro ocorrido na manhã de sábado, 27 de Julho, em Muapala, distrito de Monapo, na EN1, a perícia só foi realizada na segunda-feira seguinte, às 14 horas. “É este o INATRO que precisamos?”, questionam os denunciantes.
Há igualmente queixas sobre marcação repentina de exames práticos, que prejudica candidatos residentes fora da cidade, bem como alegações de corrupção: um técnico responsável pela atribuição de matrículas teria levado processos para casa, usando o computador da instituição para satisfazer interesses próprios e do delegado provincial.
Funcionários locais criticam ainda a incoerência entre os discursos oficiais e a realidade. Há relatos de vários instruendos que concluíram os processos de obtenção da carta de condução em 2023, mas continuam sem receber o documento, sem qualquer explicação por parte da instituição.
Outro problema prende-se com os candidatos que iniciaram a formação no sistema antigo e que não estão a ser autorizados a concluir no sistema informático actual, em contradição com instruções centrais que determinam a migração sem custos adicionais.
Recentemente, em declarações à imprensa, o delegado do INATRO em Nampula, Abubacar Maximino, alegou estar a ser vítima de perseguição por parte de colegas, por ser jovem e quadro local.
À chegada ao Aeroporto Internacional de Nampula, o PCA do INATRO, Nelson Mário Monteiro Nunes, foi confrontado por jornalistas com estas questões, mas limitou-se a responder:
“Ainda não sei o que falar. Estou aqui em Nampula exactamente para verificar o que está a acontecer. Penso que depois encontraremos o melhor momento para enviar a informação.” Faizal Raimo
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