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País celebra avanços na previsão de desastres, mas estragos continuam alarmantes
Moçambique deu um salto tecnológico significativo ao passar de apenas um dia, em 2016, para seis dias de antecedência na emissão de alertas sobre eventos climáticos extremos. Este avanço foi celebrado esta segunda-feira (26) pelo Chefe de Estado, Daniel Francisco Chapo, durante a abertura do 16.º Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos (SILUSBA) e do 11.º Congresso de Planeamento e Gestão de Zonas Costeiras dos Países de Língua Portuguesa, que decorrem simultaneamente na cidade de Maputo.
Na ocasião, Daniel Chapo destacou a ampliação da capacidade de alerta precoce como um dos resultados concretos das reformas em curso no Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) e da iniciativa “Um Distrito, Uma Estação Meteorológica”, que tem vindo a instalar equipamentos em zonas críticas para melhorar o controlo e a previsão de cheias e secas.
“Incrementámos o tempo de antecipação dos avisos dos eventos extremos que, em 2016, era de apenas um dia e, agora, conseguimos ter a informação com seis dias de antecedência. Isso permitiu reduzir, significativamente, os impactos, sobretudo na prevenção da perda de vidas humanas”, referiu o estadista moçambicano.
Apesar desse progresso, o país continua a sofrer os efeitos devastadores da intensificação dos fenómenos climáticos. Ciclones, cheias e secas continuam a causar destruição de infra-estruturas, deslocações em massa de famílias e perdas significativas na produção agrícola. Para muitos analistas, o problema já não está apenas na antecedência dos alertas, mas sim na limitada capacidade de resposta local, na escassez de infra-estruturas de evacuação, na fragilidade habitacional e no reduzido envolvimento das comunidades nos planos de contingência.
Entre as medidas em curso, o Governo destaca a revitalização dos comités locais de gestão de riscos, o mapeamento nacional das zonas propensas a cheias, bem como o reforço da diplomacia hídrica com os países vizinhos com os quais Moçambique partilha bacias hidrográficas — como os rios Zambeze, Rovuma e Limpopo.
Moçambique está hoje entre os dez países mais vulneráveis do mundo aos impactos das alterações climáticas, segundo dados internacionais. Embora Daniel Chapo reconheça que o caminho para a resiliência é longo, sublinha que os avanços na previsão são apenas uma parte da equação. O verdadeiro desafio continua a ser transformar alertas em acções concretas, que salvem vidas e protejam o futuro das comunidades mais expostas ao risco. Faizal Raimo
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