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OPINIÃO

Ouro Verde e Azul no Norte de Moçambique: O Potencial Por Explorar do Turismo

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Diz-se por ai que “o Norte de Moçambique tem o seu ouro verde nas suas paisagens e o seu ouro azul nas suas águas e cultura” sabedoria que inspira-nos a estes escritos.

Ora, a recente notícia vinda da Tanzânia ecoa como um poderoso lembrete para Moçambique: pela primeira vez na sua história, o ano de 2024 o turismo superou o ouro como principal fonte de receitas naquele país vizinho. Com um crescimento impressionante, a Tanzânia arrecadou quase 4 mil milhões de dólares, atraindo mais de 2 milhões de visitantes. Este feito sublinha uma verdade fundamental: a preservação, valorização e promoção do património natural, cultural e histórico podem, de facto, gerar mais riqueza do que a exploração de recursos minerais, como é o nosso caso.

Esta realidade tanzaniana deve ser um espelho para Moçambique, especialmente para as províncias do Norte, que detêm um potencial turístico vasto e, em grande parte, inexplorado. A região de Nampula, onde nos encontramos, é um exemplo claro disso. Com paisagens de cortar a respiração, praias idílicas e uma história rica. Ou seja, o Norte de Moçambique possui todos os ingredientes para se tornar um destino turístico de referência, capaz de gerar receitas substanciais e criar oportunidades para milhares de moçambicanos. A esse respeito, três distritos, por sinal, autarquias (com poder descentralizado), mormente, Ilha de Moçambique, Nacala e Mossuril, só para constar, são disso exemplo. Portanto, não podemos falar do turismo no Norte sem destacar a Ilha de Moçambique – Património Mundial da UNESCO, a Ilha é um tesouro vivo, com a sua arquitectura histórica, fortalezas imponentes e uma cultura vibrante que reflecte séculos de intercâmbio. No entanto, o seu potencial vai muito além do que é actualmente explorado [tem ali, um aeródromo em Lumbo]. A conservação das suas estruturas, a melhoria das infra-estruturas turísticas (hospedagem, restaurantes, transportes) e uma promoção mais agressiva nos mercados internacionais são passos cruciais para que a Ilha de Moçambique se torne o farol do turismo cultural do país. É um local que oferece uma experiência autêntica e profunda, capaz de atrair visitantes que procuram mais do que sol e praia. Nacala – a autarquia do porto das águas profundas, serve como uma porta de entrada estratégica para a região. No entanto, para além da sua função logística, Nacala e os seus arredores possuem praias deslumbrantes e uma beleza natural que ainda aguarda ser devidamente divulgada. O desenvolvimento de infra-estruturas turísticas de qualidade, a criação de pacotes turísticos que combinem a estadia em Nacala com excursões para as áreas circundantes, e a aposta em actividades aquáticas sustentáveis podem transformar a cidade num ponto de partida vital para explorar a costa. Mossuril – conhecido pelo seu encanto natural e a tranquilidade costeira oferece um contraste sereno. Com as suas praias calmas e a proximidade com a Ilha, Mossuril tem o potencial para desenvolver um turismo mais focado na natureza e no relaxamento. Investimentos em pequenos lodges ecológicos, promoção de actividades como <snorkeling>, mergulho e passeios de barco, e o incentivo ao turismo comunitário podem valorizar a sua tranquilidade e autenticidade.

Diante disto, qual caminho a seguir?

A lição da Tanzânia é clara: o turismo não é apenas uma actividade recreativa, é um pilar económico poderoso fruto de politicas migratórias brandas.

Todavia, para o Norte de Moçambique concretizar este potencial, é fundamental passando por: (i) investimento em Infra-estruturas: Melhoria das estradas, aeroportos; (ii) Capacitação e Formação: Qualificar a mão-de-obra local para o sector hoteleiro, restauração e serviços turísticos [a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lúrio, já está na dianteira]; (iii) Promoção e Marketing Estratégico: Rever a politica migratória e Desenvolver campanhas de marketing direccionadas para atrair visitantes internacionais e nacionais, destacando a singularidade de cada destino [Nacala á está a mostrar sinais deste último]; (iv) Parcerias Público-Privadas: Fomentar a colaboração entre o governo, investidores e comunidades locais para o desenvolvimento sustentável do turismo. Por fim, nem por isso menos importante,  (v) Conservação Ambiental e Cultural: Garantir que o crescimento do turismo seja feito de forma responsável, protegendo os ecossistemas e o património cultural que o tornam atractivo.

É tempo de investir e acreditar que, tal como a Tanzânia, podemos transformar este vasto potencial num motor de desenvolvimento sustentável e numa fonte de orgulho para todos os moçambicanos.

 

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2 Comments

2 Comments

  1. Nádia Sadati Issa

    Julho 24, 2025 at 2:57 pm

    Excelente reflexão! O artigo destaca com clareza o imenso potencial turístico do Norte de Moçambique, especialmente ao trazer exemplos concretos como a Ilha de Moçambique e os outros aqui mencionados. É urgente olharmos para o turismo como uma verdadeira alavanca de desenvolvimento sustentável, tal como fez a Tanzânia. Que este apelo inspire mais investimentos e políticas sérias para valorizar o nosso “ouro verde e azul”

  2. José Luzia

    Julho 24, 2025 at 4:54 pm

    Seria desejável que o investimento se fizesse em ecoturismo e não no rotineiro cimento das mansões dos ricos como acontece em Naherengue (Nacala)bl onde uma bomba para derrubar o monstro que surgiu seria Benvinda!

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