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SOCIEDADE

Obras de estrada em Marrere deixam população sem água canalizada há anos

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Moradores do bairro de Marrere, uma das zonas de expansão da cidade de Nampula, continuam a viver sem acesso à água canalizada, recorrendo diariamente a poços e furos para garantir o consumo doméstico. O que poucos sabem é que, segundo apurou o Jornal Rigor, algumas zonas do bairro já haviam sido contempladas com água canalizada, mas o fornecimento foi interrompido por interferência directa do Conselho Municipal.

A suspensão ocorreu no âmbito das obras de construção da estrada que liga a Estrada Nacional Número Um (EN1) ao Hospital Geral de Marrere. Para permitir a execução do projecto, o município ordenou a interrupção das infraestruturas hidráulicas, com a promessa de que, concluídas as obras, a canalização seria restabelecida. No entanto, as obras ainda decorrem até ao momento, impossibilitando a reposição da rede de abastecimento.

Enquanto isso, os residentes de Marrere vivem o martírio de depender de fontes precárias e inseguras. “Tiramos a água de poços e às vezes até esses secam. Pedimos ao município que nos traga água, porque estamos a sofrer”, disse Felismino Horácio, morador da zona afectada.

Muitos munícipes relatam que a situação é do conhecimento das autoridades locais, mas não se vislumbra solução.

“Já vieram perguntar, já prometeram, mas até hoje nada. Desde que se abriu a estrada, o tubo ficou danificado e nunca mais houve água canalizada”, lamenta António Felisberto.

Em várias casas, a água retirada dos poços é utilizada também para consumo humano, tratada com produtos como o “Certeza”.

“Tiramos para lavar, tomar banho e até beber. A água do poço aqui não é doce nem segura, mas é a única que temos”, explicou Estefânia Fernando, empregada doméstica no bairro.

Em Nampula, muitos bairros são planejados sem que se garantam primeiro os serviços básicos — como água, energia, saúde e educação — o que cria sérios constrangimentos à vida urbana.

Os moradores apelam ao Conselho Municipal e às autoridades de água para que haja melhor coordenação entre projectos de urbanização e serviços básicos, evitando que os cidadãos paguem com a sua dignidade o preço do progresso urbano. Redacção

 

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