OPINIÃO
O Míope que se parece com um Invejoso
“Aja como se aceitasse tudo. Mas na verdade, esteja se preparando para mudar de rumo”Bob Marley
Por: Milagre Boquisso
O “mas”, uma conjunção adversativa que por vezes nos lembra a inveja. Da palavra de ordem “Vamos Trabalhar” a força do Município de Nampula demonstra uma preocupação sincera em ter as vias de acesso em condições para melhorar a imagem da Cidade Capital do Norte. Bem haja o trabalho que é visível. A Cidade está tipo um estaleiro que promete aprimorar o brilho desta bela cidade que vai a caminho dos seus 69 anos! Para um primeiro ano de Governação estamos a ir bem.
O estaleiro que está a cidade desperta murmúrios por conta dos engarrafamentos nas vias. Até se vira especialistas em Obras ao cogitar que o Município deveria orientar a empresa a realizar as suas acções à noite, como quem diz que eles são responsáveis pelo nosso atraso. Afinal, sei que estamos em obras e devo sair um pouco mais cedo para gerir a minha agenda! O maior alento vem quando se sabe que, bem lá no fundo, o sacrifício trará bons resultados.
Intervenções de raiz em estradas remontam de passados anos e que gente desta cidade só via em outros municípios fazendo crescer a cobiça com um “até quando será a nossa vez?” Saudosismo ou não, mas a ideia de reabilitar buracos com arreia já estava a ser um autêntico atentado à saúde pública e, se calhar, o sector de saúde chorava com as viroses resultantes de poeiras gratuitas à que estávamos expostos. É verdade que não se pode ignorar algumas intervenções feitas no passado recente.
Enfim. Vivemos em um País com muitos desafios e temos sempre que começar de algum lado a fazer as coisas acontecerem, senão continuaremos a ter como conversa de esquina, de barraca em barraca, a alimentar frases célebres como “esses são estão ali para se servir”! Começamos bem com a via do Matadouro, aquela estava a clamar por uma intervenção da dimensão que está a ser dada e, mais uma vez, Parabéns!
E lá vem o famoso “MAS”, não para tirar o mérito e o brilho do que está a ser feito, provavelmente porque precisamos de um município mais próximo do cidadão e que vê outras oportunidades que podem contribuir para o bem estar do munícipe. O “MAS” vem para uma atenção que deve ser dada às vias de acesso aos bairros, algumas delas, com necessidades de investimento bem menor do que é feito no centro da cidade. Tais vias precisam de intervenções de uma pá niveladora que permita melhorar o acesso e transitabilidade. Estou a falar das ligações Jardim e Nampaco, a via do Siquia até ao Assanito e adiante, a entrada da ADEMO até Wamahia que pode ser ligada à Subestação.
Excelências, ver a reparação dos Passeios à volta do mercado central fico maravilhado com o brilho que se vai ter naquela zona, mas não sei se seria prioritária a intervenção, olhando para o investimento necessário para as vias que citei. Este meu “MAS” invejoso deverá ser visto como uma opinião de um leigo com relação à aquilo que é o Plano do Município, mas ao mesmo tempo, a expressão de uma preocupação que pode contribuir para a melhoria do acesso à zonas de expansão da Cidade. Aqui faço a extensão a zonas com a necessidade de terraplanagem das vias que não as tenha citado.
Essas vias são vitais para a atracção de munícipes que tem as suas obras meio que mal paradas por pensarem no acesso à futura casa e ou à casa de residência que tortura o seu parco investimento em ter um meio de transporte particular e ou uma mota que serve de alternativa única para chegar aos aposentos. Uma intenção a este nível, sendo sonhador, reduziria os custos com o serviço alternativo de transporte para se chegar a casa, incentivando a criação de novas rotas de “Chapas” para o alívio do bolso do cidadão!
Voltando aos passeios intervencionados, ainda dentro do desconhecimento do Plano do Município, vejo um investimento que, priorizado, reduz (talvez insignificante) uma fonte de receitas para o mesmo município e, para não apimentar o meu “MAS” de invejoso, em parte, o ordenamento territorial deveria incidir em uma actuação estruturante para que as barracas espalhadas pelas vias de modo a ter ma imagem diferente enquanto se priorizam outras intervenções. Ao longo do actual ciclo de governação, com fontes de receitas mais assentes, poder-se-ia atacar este grupo com o famoso plano de remoção. Porque estamos num contexto de crise e de fraco poder de compra que, ter um quiosque na rua ajuda na empregabilidade de jovens reduzindo a falta de ocupação (se é a melhor forma, não sei!).
Recordando que o meu invejoso “MAS” resulta do desconhecimento, sugiro que o município partilhe mais o seu Plano e permita a participação do cidadão de forma um pouco mais activa mesmo reconhecendo a representatividade do POVO através da Assembleia Municipal. Desta forma a nossa miopia revestida de “MAS” iria reduzir e permitir maior contribuição para o bem estar de todos, afinal a obra a que me atento em particular, passeios próximos ao mercado central, não ostentam uma placa informativa sobre o projecto.
Bem haja ao trabalho que está a ser feito!
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