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OPINIÃO

O Milagre da Multiplicação ( Inversa )

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O hospital público é o único lugar do mundo onde se aplica a Lei de Lavoisier da Malandragem: “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma… em mercadoria no mercado da esquina”.

O roteiro é sempre o mesmo. Você chega com uma dor que faria um elefante pedir clemência. O médico, um herói que trabalha à base de café frio e esperança, escreve um nome complicado num papel. Você caminha até a farmácia do hospital com o entusiasmo de quem vai buscar um prêmio da loteria.

No balcão, o funcionário nem precisa olhar para a sua receita. Ele já desenvolveu um sentido aranha para a escassez.

— “Tem paracetamol?”

— “Acabou, moço. Estamos na fase do ‘reza que passa’.”

— “E antibiótico?”

— “Só temos a caixa. Quer levar para guardar recordações?”

O mistério é digno de um episódio de Arquivo X. O caminhão chega, descarrega as caixas, o diretor faz foto para o Instagram, mas, cinco minutos depois, o estoque evapora. É o Triângulo das Bermudas da Saúde: o remédio entra pela porta da frente e sai pela janela dos fundos, por telepatia ou por “mãos leves” que fariam mágicos de Las Vegas morrerem de inveja.

O mais fascinante é a logística reversa. O medicamento que “não existe” na prateleira do hospital, aparece magicamente na banca do “Sr. Nelson”, entre um cacho de bananas e um carregador de celular pirata. O Sr. Nelson, que nunca pisou numa faculdade de medicina, vira o seu farmacêutico de confiança:

— “Patrão, esse aqui com o carimbo de ‘Venda Proibida’ é o melhor que existe. Faço um preço especial para você, já que o Estado ‘esqueceu’ de te dar.”

O doente, então, vive o paradoxo moderno: paga o imposto para ter o remédio de graça, mas tem que pagar o “imposto do desvio” para comprar o próprio remédio que lhe foi roubado. É uma economia circular perfeita, só que o círculo está no pescoço do povo, apertando cada vez mais.

, a inovação tecnológica chegou: agora o hospital tem sistema digital. Pena que o sistema serve apenas para avisar, com um emoji triste, que o estoque está em zero, enquanto o comprimido desvia da rota oficial para fazer carreira solo no mercado informal.

A solução? Talvez colocar rastreadores GPS em cada comprimido. Assim, pelo menos, o doente poderia seguir o seu remédio pelo aplicativo: “Seu antibiótico está saindo do hospital… Seu antibiótico parou numa churrascaria… Seu antibiótico agora está disponível na banca do Mercado Central.

São cálculos de a +b×√25(12÷4)_2 ÷8 um cálculo que mesmo o Albert Einstein não conseguiria resolver nem o Leonardo da Vinci, mas mesmo assim seguimos cada dia o caminho do hospital.

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