OPINIÃO
O Banquete das Sombras
Moçambique não é um país pobre; é um país empobrecido pela etiqueta de quem o governa. Sentados em cadeiras de couro importado, sob o frio artificial de gabinetes que ignoram o calor asfixiante das ruas de todas as províncias do norte ou o cheiro ao lodo das cheias do Sul, os nossos dirigentes parecem sofrer de uma cegueira seletiva.
É uma miopia de luxo: enxergam perfeitamente o brilho das comissões e das concessões, mas
perdem o foco quando o assunto é o prato vazio de quem os elegeu.
A narrativa oficial continua a ser a mesma sinfonia desafinada de “estabilidade” e “crescimento macro económico”. Mas que estabilidade é esta que não impede o jovem graduado de vender crédito de celular na esquina? Que crescimento é este que só se reflete no volume das contas bancárias de uma elite que se comporta como se fosse dona da bandeira e não servidora dela? A situação em que nos encontramos é de um dramatismo quase teatral.
Somos o povo da resiliência essa palavra que os governantes adoram usar para romantizar a nossa miséria. Dizem que somos fortes, mas a verdade é que estamos apenas cansados. Cansados de ver os recursos naturais serem anunciados como a “salvação da pátria” enquanto os lucros voam para paraísos fiscais e as migalhas caem sobre um povo que ainda luta para ter giz nas escolas e paracetamol nos hospitais.
É questionável o silêncio daqueles que deveriam gritar. A preocupação dos nossos líderes parece estar mais voltada para o próximo ciclo eleitoral ou para a próxima recepção diplomática do que para a criança que estuda debaixo de uma mangueira porque a “prioridade orçamental” foi o novo palácio de uma direção qualquer.
Moçambique tornou-se um banquete onde o povo é o ingrediente, nunca o convidado. Enquanto os dirigentes brindam ao “desenvolvimento”, o país real o das estradas esburacadas e da fome que dói no silêncio da noite, assiste à festa através de uma vidraça que ninguém se atreve a quebrar. Mas a história ensina: vidraças não são eternas, e a fome de justiça é a única que o banquete das elites nunca conseguirá saciar.
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Gildo Alfa
Janeiro 28, 2026 at 4:32 pm
Prendeu minha atenção, gostei de ver algo do gênero, é preciso deixar mesmo claro que as coisas por aqui não estão como muitos imaginam 👏
Bachir
Janeiro 28, 2026 at 5:18 pm
Testo Muito interessante, acredito eu que se um menbro da elite lá no alto poderiam olhar nossa situação com um pouco de remorso. Parabéns ao escritor
Marcia
Janeiro 29, 2026 at 10:31 am
Muita visão nesta crónica
Morgado
Janeiro 29, 2026 at 4:12 pm
Jornalismo de primeira, meu dud
Dino Celestino
Janeiro 30, 2026 at 4:35 pm
O texto é muito interessante, e pude ver que isso tem acontecido no nosso cotidiano. Então é preciso abraçar essa causa de modo que ajudemos a nossa população fazendo doações.
Dino Celestino
Janeiro 30, 2026 at 4:41 pm
O texto é uma pura verdade daquilo que vivemos o nosso dia a dia no nosso belo país Moçambique. Todavia o texto trás um espero tão enorme para podermos olhar os actos que temos vividos cá em Moçambique, nomeadamente cheias,fome,e falta de oportunidade para jovens
Neste contexto seria bom que nós como a memória podessemos dar o nosso contributo para essa causa.