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OPINIÃO

A violência financeira que ninguém quer discutir

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Nos últimos anos, a mulher tem levantado a cabeça, rompido barreiras e gritado sobre empoderamento, emancipação e igualdade. Diz que pode exercer qualquer função, conquistar qualquer espaço, quebrar mitos que durante séculos a aprisionaram. Fala de inclusão, de direitos, de liberdade e é justo aplaudir essas conquistas, pois representam um avanço histórico e civilizacional.

Mas há um paradoxo que incomoda, pois são as mesmas mulheres que, mesmo com trabalho próprio e renda garantida, esperam que o homem sustente a casa inteira. Que pague todas as contas, que arque com todas as responsabilidades financeiras, enquanto seu próprio dinheiro desaparece sem explicação. Para onde vai esse dinheiro? Será que os Deuses comem? Ou será que vai parar nas mãos de curandeiros, em hábitos que ninguém entende?

O que vemos aqui não é empoderamento, é incoerência. A mulher que reivindica igualdade deve entender que emancipação verdadeira não é apenas falar, é agir com responsabilidade. Se a independência financeira é conquistada, por que manter sobre os ombros do homem uma carga que ambos podem dividir? A liberdade sem equilíbrio se transforma em imposição; a emancipação sem coerência vira arrogância.

E é esse ponto que precisa ser discutido com clareza: a sociedade mudou, o mundo mudou, mas algumas práticas permanecem presas ao século passado  ou pior, distorcidas pela ideia de que poder é exigir e não partilhar. O homem deixa de ser parceiro e se torna vítima de um sistema invisível, onde a mulher, com todas as ferramentas para ser autossuficiente, escolhe sustentar-se sobre ele, sem explicação, sem diálogo.

Não quero diminuir a luta histórica da mulher. Muito pelo contrário. Mas é hora de olhar para o espelho da coerência. Empoderamento é para todos, mas começa pelo respeito, pela justiça e pela responsabilidade compartilhada. Liberdade sem lógica, igualdade sem reciprocidade, é apenas um discurso bonito que se desfaz diante da vida real.

Para onde vai o dinheiro dessas mulheres? Talvez não seja apenas uma questão financeira, mas moral. Porque liberdade real, emancipação real, igualdade real, só existem quando o discurso encontra a prática. E, até lá, continuamos diante de um espectáculo de contradição, onde o grito por direitos se mistura à exigência sem razão.

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