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OPINIÃO

Nenhum tirano nos irá escravizar: o juramento de um povo livre e vigilante

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No coração da nossa pátria moçambicana, ecoa com intensidade a solene proclamação do nosso hino nacional: “Nenhum tirano nos irá escravizar”. Esta frase, longe de ser apenas uma expressão retórica ou simbólica, representa o compromisso profundo, histórico e espiritual de um povo que conquistou a liberdade com sangue, suor e esperança. É uma promessa que ressoa do Rovuma ao Maputo, dos vales de Gurué às praias do Índico, entrelaçando-se com o pulsar diário da nação.

Esta afirmação, firmada na consciência colectiva, ultrapassa o campo da resistência armada e penetra o âmago da cidadania activa e crítica. Trata-se de um juramento cívico e moral que não admite retrocessos nem concessões à opressão, qualquer que seja a sua forma. Em Moçambique de hoje, os tiranos já não vêm com botas de exércitos coloniais ou com bandeiras estrangeiras. Eles podem vestir fatos bem passados, andar em viaturas de luxo, redigir discursos sedutores e prometer reformas enquanto perpetuam desigualdades, silenciam vozes e concentram poder.

A tirania moderna, em Moçambique, manifesta-se na corrupção institucionalizada, na má gestão dos recursos públicos, na repressão da liberdade de expressão e reunião, na exclusão de comunidades inteiras dos benefícios do desenvolvimento, e na negação do direito à educação de qualidade, à saúde condigna, à justiça célere e imparcial, e ao trabalho digno. E é justamente contra essas formas dissimuladas de opressão que a resistência deve ser contínua, persistente e vigilante.

Liberdade não é apenas um direito, é uma prática quotidiana. Pois, a independência nacional, conquistada em 1975, libertou o território moçambicano do jugo colonial. Contudo, a libertação plena do povo exige muito mais do que a retirada de bandeiras estrangeiras. Exige instituições transparentes, uma cidadania activa, justiça equitativa e equidistante, e um modelo de governação baseado na ética pública e na participação social.

Quando dizemos que nenhum tirano nos irá escravizar, também dizemos que não seremos cúmplices da injustiça, do silêncio e da apatia. Cada cidadão moçambicano, em qualquer canto do país ou na diáspora, carrega consigo a responsabilidade de garantir que esta promessa continue viva, não como nostalgia do passado, mas como guia para as acções do presente.

A vigilância não se limita ao campo político. Estende-se à luta contra o tribalismo, o clientelismo, o nepotismo, a violência baseada no género, e todas as formas de discriminação. Ela exige uma imprensa livre, uma sociedade civil robusta e organizada, universidades críticas, igrejas proféticas e juventude engajada, tudo isso como expressões de um povo que não admite calar-se diante do arbítrio.

Como nos ensina a história, os tiranos florescem no silêncio e prosperam na indiferença. Mas onde há povo consciente, informado e unido, não há espaço para o medo, para o conformismo nem para a opressão. A liberdade, nestes moldes, não é um presente concedido pelos poderosos, é uma conquista que se defende todos os dias com coragem, solidariedade e memória.

Hoje, mais do que nunca, este grito do hino nacional deve transformar-se em práticas concretas: educação cívica, mobilização social, eleições transparentes, responsabilidade pública, e cultura de prestação de contas. Cada vila, cada bairro, cada distrito deve ser um território de dignidade onde nenhuma criança adormeça com fome, onde nenhuma mulher seja violentada impunemente, onde nenhum jovem seja condenado ao desemprego estrutural.

Portanto, Moçambique é mais do que a soma das suas dificuldades. É um povo que se levanta com dignidade, que canta, que dança, que luta e que sonha. A liberdade não é negociável, e por isso repetimos: nenhum tirano nos irá escravizar. Não porque seja apenas um verso do hino, mas porque é o eco de milhares de mártires e o compromisso de milhões de vivos.

Que cada geração diga e reafirme este juramento com actos e não só com palavras. Porque a liberdade é o bem mais precioso de um povo. E Moçambique, nosso bem comum, merece ser livre, justo e feliz. Sempre. E mais não disse!

 

 

 

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