DESPORTO
Nampula recorre às artes marciais para travar epidemia silenciosa de drogas entre jovens
Enfrentando uma escalada preocupante no consumo de drogas e na criminalidade juvenil, a cidade de Nampula vê emergir uma resposta criativa vinda das próprias comunidades: o uso das artes marciais e da dança como ferramentas de transformação social. Karaté, capoeira e até o ballet estão a ser levados para os bairros mais vulneráveis como estratégia para afastar adolescentes das drogas, promover a disciplina e devolver esperança.
A iniciativa, promovida pelo Ginásio Bem-Estar, chama-se “Um Atleta, Um Futuro” e já está a operar nos bairros de Muhala Expansão e Muahivire. O projecto aposta no desporto e na arte como veículos de inclusão e prevenção.
“O nosso objectivo é transformar a vida de jovens e adolescentes dos 5 aos 18 anos nas comunidades. Levamos as actividades do ginásio até aos bairros, como forma de promover a saúde, o bem-estar e afastar os jovens dos comportamentos nocivos que afectam a nossa província, como as drogas, gravidezes precoces e a criminalidade em geral”, explicou Sibel Morais, administradora do Ginásio Bem-Estar.
Com mais de 20 anos de experiência em karaté, Flow Soares é um dos pilares da acção no terreno. Ele destaca a importância da autodefesa para as raparigas, consideradas a camada mais vulnerável da sociedade:
“Oferecemos aulas de autodefesa, sobretudo para meninas. Elas precisam aprender a reagir a situações de agressão. O desporto contribui para o desenvolvimento da mente, da postura, da educação e da saúde.”
Para Maira Licove, praticante de capoeira, a prática vai muito além do físico. Ela encontrou na arte uma fonte de equilíbrio emocional e defesa pessoal real:
“Antes de entrar na capoeira, não conseguia controlar o meu corpo, o que é perigoso para quem quer proteger-se. Hoje, não só me sinto mais forte fisicamente, como também mais equilibrada psicologicamente. Nampula está cada vez mais perigosa, sobretudo para as mulheres. Uma vez consegui defender-me de três agressores usando uma técnica de nocaute e escapei ilesa.”
Cleiton Camões, também aluno de capoeira, reforça que a prática o afastou de ambientes nocivos:
“A capoeira não é só luta, é também uma forma de educação. Quando treino, esqueço os meus problemas, especialmente os conflitos pessoais. Apesar de ainda ser marginalizada, a minha família apoia-me, porque sabe que, estando na capoeira, não me envolvo com drogas nem com más companhias.”
O professor Safiro Domingos, instrutor de capoeira no Ginásio Bem-Estar, testemunha mudanças reais nos seus alunos:
“Já treinei adolescentes com problemas com álcool, drogas e até comportamentos agressivos. É gratificante ver como a capoeira os molda de forma positiva. Ela tem o poder de gerar mudanças visíveis na sociedade.”
Com um número crescente de jovens a cair no consumo de estupefacientes e a cidade de Nampula a tornar-se cada vez mais vulnerável a fenómenos de violência urbana, projectos como este tornam-se não apenas relevantes, mas urgentes. São, nas palavras dos seus promotores, uma forma de “lutar com arte” por um futuro diferente. Daniela Caetano
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